Novembro Diabetes Azul – Sudeste recebe ações de conscientização sobre a doença

Campanha mundial aborda papel da família na prevenção e tratamento.

O azul de novembro também lembra a necessidade de conscientizar a população a sobre o diabetes, doença que acomete mais de 1 milhão pessoas na região Sudeste do Brasil, de acordo com último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde (2013). A campanha mundial organizada pela International Diabetes Federation (IDF) tem como mote para este ano “Família e Diabetes”, a fim de evidenciar o papel do núcleo familiar para prevenção e controle da doença.

No país, a ação é promovida pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), instituição responsável pela reinserção do Novembro Diabetes Azul no Calendário de Eventos do Ministério da Saúde. “Foi um avanço importante da Advocacy da Sociedade com a ADJ Brasil e a FENAD, além de mais um grande passo para a integração com o staff técnico-político do Ministério da Saúde”, comenta Hermelinda Pedrosa, médica endocrinologista e presidente da SBD.

Os cariocas receberão, por meio da regional do Rio de Janeiro da SBD, um aulão de ginástica e atividades para crianças e iluminação do Cisto Redentor. Em Minas Gerais, a regional promove campanha de osteoporose com alunos da Liga de Endocrinologia da UNI-BH e UFMG e de diabetes na praça JK. A ação conjunta com a regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) consiste em uma reunião com pessoas com diabetes tipo 1 e familiares.

Veja a agenda completa das atividades no Novembro Diabetes Azul clicando aqui.

Estimativa da IDF aponta que, em todo o globo, 425 milhões de pessoas convivem com o diabetes, das quais mais de um milhão são crianças e adolescentes com o tipo 1. No Brasil, o número aproxima-se dos 13 milhões. Regionalmente, os dados brasileiros serão atualizados também em 1º de novembro, quando o Ministério da Saúde divulgará o boletim epidemiológico.

Apoio familiar impacta diretamente o manejo do diabetes

De acordo com a especialista, o tema da campanha chama atenção para influências comportamentais e clínicas da família, que representa o grupo primário de relacionamentos e é capaz de impactar a saúde de seus integrantes. “O diabetes é uma doença crônica e exige mudanças efetivas nos hábitos cotidianos do paciente e da família, inclusive na relação com alimentos e exercícios físicos. É um processo educacional contínuo”, afirma.

Tal questão é ainda mais presente quando o diabetes acomete crianças e adolescentes. Isso porque as atitudes familiares repercutem na aceitação ou não dos mecanismos de enfrentamento da doença. Assim, Pedrosa destaca que todo o núcleo familiar deve estar envolvido, já que no diabetes tipo 1 é dos pais a responsabilidade dos cuidados.

“O manejo da doença é complexo e demanda integração com todas as atividades diárias. O ambiente no qual a pessoa está inserida tem papel fundamental na forma como ela lida com o diabetes, e isso impacta o sucesso ou a falha do tratamento”, avalia a presidente da SBD.

Cuidado específico para cada tipo de diabetes

O diagnóstico do diabetes tipo 1 acontece geralmente na infância e adolescência, o que aumenta a responsabilidade familiar. Aqui, englobam-se alimentação saudável, controle da glicemia, condução da insulinoterapia, identificação e ação perante episódios de hipoglicemia. “A atenção especial da família ao processo de transição, conforme a criança cresce e chega à adolescência, é fundamental para que a conscientização e o autocuidado se ampliem naturalmente”, reforça Pedrosa.

Já o diabetes tipo 2 surge, em geral, na fase adulta e está ligado à resistência à ação e diminuição da produção de insulina no pâncreas, ação deficiente de hormônios intestinais, dentre outros. A obesidade, dislipidemia (elevação do colesterol e triglicerídeos), hipertensão arterial, histórico familiar da doença ou de diabetes gestacional, e o processo de envelhecimento são os principais fatores de risco. O tratamento demanda mudanças no estilo de vida – ao receber o diagnóstico do diabetes, as adaptações da rotina devem ser intensificadas, sobretudo na eliminação de alimentos inadequados e do sedentarismo. Principalmente nesse caso, a família também pode ter impacto tanto positivo quando negativo na qualidade de vida.

“O envolvimento proativo da família aumenta o comprometimento de quem recebeu o diagnóstico, seja criança, adolescente, adulto ou uma pessoa idosa, e motiva um seguimento com mais chance de êxito resultando em melhor controle, mais qualidade de vida e menor frequência de complicações. Além disso, favorece o engajamento a associações de pessoas com diabetes, para buscar melhorias para o tratamento nas esferas governamentais e, claro, em campanhas de alerta para prevenção”, afirma a presidente da SBD.

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