
Paulo Skaf, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), esteve nesta segunda-feira (9/5) na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para conversar com integrantes da entidade e representantes do empresariado paulista sobre a situação atual do País e os desafios que o novo governo terá de enfrentar na eventualidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O executivo-chefe da Fiesp/Ciesp participou da plenária da ACSP, que é realizada mensalmente e sempre traz um palestrante convidado, o que torna os eventos palcos das grandes discussões nacionais.
Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), ressaltou o apoio mútuo entre a Associação Comercial e a Fiesp. “Procuramos, junto com todas as instituições, trazer de volta a credibilidade do País. É fundamental essa união. A descrença no País e nas decisões tomadas assusta a gente”, frisou.
Skaf adotou um tom crítico ao atual governo, defendendo a saída de Dilma do comando do País. Destacou a importância de a classe empresarial se manter unida para enfrentar a crise, ressaltando, também, a parceria entre ACSP e Fiesp. “Temos que ser uma única casa”, disse.
Sobre o processo de impeachment, o presidente da Fiesp refutou a ideia de que ele apenas prestigie o vice Michel Temer – ambos são do mesmo partido. De acordo com Skaf, o País “vive uma bagunça” e, por isso, foi necessária uma intervenção mais ativa do empresariado. “O que nos estimulou foi a necessidade de mudança. Por essa razão é que defendemos – de acordo com a lei, de acordo com a Constituição – o processo de impeachment. Com o impedimento da presidente, nasce uma nova esperança”, enfatizou.
Para o empresário, uma das prioridades do novo presidente da República é a redução da máquina pública. “O que nos interessa é que o governo reduza seu tamanho, reduza seus desperdícios, reduza seus gastos”, pontua ele, completando que qualquer proposta de aumento de impostos é inaceitável.
Absurdo nas contas federais
O convidado da ACSP chamou de “absurdas” as contas federais, mas também lançou críticas aos cofres estaduais. “Onde mexerem, vai ter problema”, afirmou, sugerindo que os governantes brasileiros desperdiçam o dinheiro que arrecadam – e que essa é uma das causas que levaram à atual crise econômica.
Em relação à decisão desta segunda-feira do presidente-interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, de anular a votação do impeachment, Skaf qualificou a atitude do parlamentar de descabida. Ademais, disse que não acredita que o STF vá interferir no processo, o que poderia atrasar a saída de Dilma do comando do Executivo.
O impeachment, repetiu Skaf durante toda a sua palestra, tem de acontecer rapidamente, pois apenas com um novo governo o empresariado e o consumidor retomarão a confiança, voltando a produzir e a gerar riquezas. Para ele, a retomada pode ser mais rápida do que se espera. “Governo não constrói nação em nenhuma parte do mundo. Quem constrói é a população”, disse Skaf.










