Casos de diabetes no Brasil aumentam 26,61% em 10 anos

 

O Brasil ocupa a sexta posição entre os países com o maior número de pessoas com diabetes.

Dados do Atlas do Diabetes divulgados no dia 06 apontam um aumento de 26,61% no número de pacientes com a doença no Brasil, entre 2011 e 2021. Atualmente o Brasil ocupa a sexta posição entre os países com o maior número de pessoas com a doença, e a previsão é que até 2045 o país passe de 15.7 milhões para 23.2 milhões de pessoas com diabetes, um aumento de 47,7%.

Apenas em Curitiba, na capital do Paraná, o número de pessoas diagnosticadas com diabetes subiu 17% no ano passado, em comparação com 2019, segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Em 2020, 8,2% da população de Curitiba afirmava ter sido diagnosticada com a doença, fazendo com que a cidade subisse do 11º lugar em 2019 para a 7º colocação no ranking de capitais com o maior número de casos de diabetes do país.

Outro dado importante que aparece na Atlas é que o custo estimado do diabetes no Brasil é de 42,9 bilhões de dólares por ano, ficando atrás apenas da China e Estados Unidos, com US$ 165,3 bi e US$ 379,5 bi, respectivamente.

O médico endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes no Paraná (SBD-PR), André Vianna, explica que por ser uma doença que não apresenta sintomas em sua fase inicial, o diabetes é difícil de ser diagnosticado. A nova edição do Atlas estima que só no Brasil cerca de 5 milhões de pessoas não saibam que estão com diabetes. “A alta incidência de casos de diabetes no país está diretamente relacionada à obesidade, já que o diabetes tipo 2, responsável por mais de 90% dos casos de diabetes no mundo, surge com o acúmulo da gordura abdominal”, afirma André Vianna.
Para ele, a prevalência da obesidade está aumentando nos países em desenvolvimento, principalmente no Brasil porque a alimentação de baixa qualidade acaba sendo mais barata e, consequentemente, mais acessível para parte da população.

“Somado a isso, há a falta de atividade física e sedentarismo, o que contribui para o excesso de peso, podendo resultar em um quadro de diabetes 2”, diz Vianna.

De acordo com o levantamento apresentado no Atlas, cerca de 31,9% da população brasileira com diabetes não sabe que tem a doença. Isso porque a DM2 não apresenta sintomas na maior parte das vezes, e pode permanecer assim por anos, sem que a pessoa seja diagnosticada.

Esse é o caso da pedagoga Eva de Matos, que soube por acaso que tinha diabetes. “Na escola que eu trabalhava era feito anualmente o exame de glicemia nas crianças, por causa da obesidade infantil. E, então, eu decidi fazer o teste também para ver como estava a minha glicemia, só por curiosidade. Foi quando eu recebi a notícia que tinha diabetes. Na hora eu não acreditei, achei que o exame estava errado e não procurei um médico. Mas meses depois eu passei muito mal no trabalho. No hospital, vi que minha glicemia já tinha passado dos 300. Foi só aí que comecei o meu tratamento”, diz Eva.

A recomendação médica é que pessoas com mais de 40 anos façam o exame de glicemia anualmente para identificar a doença. Para aqueles que apresentam um quadro de obesidade ou excesso de peso, o ideal é iniciar os exames mais cedo, antes dos 40. O médico endocrinologista explica que as palavras-chaves para conter o avanço do diabetes no Brasil são alimentação saudável e prática regular de atividade física. “O principal ponto para desacelerar a incidência de casos de diabetes no país é a implementação de políticas públicas que incentivem e viabilizem uma alimentação saudável para toda a população, junto com a prática de atividade física. A educação é muito importante para que as pessoas entendam que hábitos saudáveis são essenciais para cuidar da saúde”, finaliza.

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