Agosto Dourado: Conheça mitos e verdades sobre o tema

 

Somente no mundo em desenvolvimento, quase 1,5 milhão de vidas seriam salvas por ano se a recomendação de aleitamento materno fosse seguida.

Mais da metade dos bebês brasileiros não tem o leite materno como único alimento aos 6 meses.

Para conscientizar as populações acerca da importância do aleitamento materno, foi criado o “Agosto Dourado”, campanha não tão difundida quanto a de outros meses, mas de importância fundamental para a saúde da população.

Nesse cenário de falta de informação, a atenção básica é fundamental para as jovens mães, que além dos desafios inerentes à maternidade, deparam-se com dificultadores sociais e profissionais. Ações educativas conduzidas por times de saúde multidisciplinares durante o pré-natal e a puericultura contribuem para o aumento dos índices de aleitamento.

Neste mês de conscientização, é importante distinguir mitos e verdades sobre o assunto. Pedimos à Dra. Danielle Lopez Pera, médica da Sami, operadora de saúde digital com foco em PMEs e MEIs, para responder sobre alguns deles:

– Quando o leite é fraco, o bebê chora porque a amamentação não basta.

Mito. O leite humano é um alimento completo para o bebê, contém todos os nutrientes com qualidade e quantidade certas que ele precisa para crescer e se desenvolver. Nos primeiros meses de aleitamento os bebês choram muito, pedindo leite com uma frequência maior do que a esperada pela maioria dos pais, e isso dá a sensação de que o leite materno não está sendo “forte” o suficiente. Mas não é isso. O que ocorre é que o estômago do bebê é muito pequeno nos primeiros meses, assim, cabe pouco leite a cada mamada.

O leite humano é uma solução viva e, além de nutrir e prevenir doenças, também contribui para o desenvolvimento do cérebro e da inteligência do bebê. Além disso, o leite materno é melhor absorvido e tem uma digestão mais rápida que o leite de vaca. Justamente por isso, bebês que são alimentados exclusivamente com o leite materno mamam mais vezes que os alimentados com o leite de vaca.

– Existem mães que simplesmente não produzem leite.

Mito . A pouca produção de leite, na maioria dos casos, é uma percepção da mãe relacionada à insegurança sobre sua capacidade de amamentar. Do ponto de vista fisiológico, as chances de uma produção de leite insuficiente ou uma contraindicação médica à amamentação são raras. Então, do que depende o sucesso da amamentação? A posição e a “pega” do bebê são fatores determinantes para a produção adequada de leite, já que o maior estímulo à produção de leite materno é a sucção do bebê. Isso mesmo, quanto mais o bebê sugar, mais leite será produzido. Outros fatores também interferem nesse processo, como o volume de água consumido pela mãe, por exemplo. O ideal é que uma mãe amamentando consuma, em média, de 2 a 3 litros de água ao dia.

– Se a alimentação da mãe for ruim, o leite materno será fraco.

Mito. Hábitos de vida saudáveis trazem, sem dúvidas, benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê, mas essa não é uma condição necessária para manter uma boa qualidade ou um estoque adequado de leite. O leite materno possui todos os elementos necessários para o desenvolvimento do bebê. A recomendação é de que o bebê seja amamentado até o sexto mês de vida exclusivamente com o leite materno. Nada de chás ou água, combinado? Dos seis meses em diante, apenas o leite materno não garante todos os nutrientes necessários ao crescimento e ao desenvolvimento da maioria dos bebês. Suas necessidades aumentam e, portanto, precisam de outros alimentos que complementam a amamentação. O leite materno, porém, ainda representa uma importante oferta de nutrientes e anticorpos que ajudam a criança a combater e se recuperar de episódios de doenças.

– Algumas emoções atrapalham a produção de leite

Verdade. Caso a pessoa que amamenta passe por situações de nervosismo, a produção de leite pode diminuir, isto porque o hormônio adrenalina liberado em excesso bloqueia o hormônio ocitocina, que é um dos hormônios que influenciam na amamentação. O estresse pode influenciar na liberação de ocitocina, afetando a transferência de leite e o vínculo entre a mãe e o bebê.

– O bebê deve mamar em horários específicos.

Mito. Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é de que o bebê possa mamar sempre que ele pedir o peito, sem horários delimitados. E, ainda, para ajudar na amamentação, é importante atentar-se ao bebê para que ele mame até se satisfazer por completo.

– Existe um tipo de parto melhor para o leite materno.

Mito. A via de parto não altera a qualidade do leite materno. Alguns estudos afirmam que o parto normal facilita o aleitamento na primeira hora de vida uma vez que, durante o trabalho de parto, a produção de ocitocina para o aumento da contratilidade uterina, estimula e ejeção do leite, facilitando assim o aleitamento.

– Mamadeiras e chupetas prejudicam o aleitamento?

Verdade . Ao sugar o peito, o bebê precisa fazer um esforço muito maior do que o de mamar na mamadeira, por isso, caso ele se acostume com a mamadeira ou chupeta, há o risco dele não se habituar mais para mamar no peito. Além disso, o esforço dos músculos para ele mamar no peito serão cruciais na mastigação e na fala.

– As mães também se beneficiam da amamentação?

Verdade. A amamentação auxilia o retorno do útero ao seu volume normal ajudando assim na transição pós parto. Amamentar também é um fator de proteção contra o câncer de mama e ovário. Ela funciona, se seguir algumas características específicas, como método contraceptivo nos primeiros seis meses de vida do bebê, chamamos isso de Método da Amenorréia Lactacional (LAM). Para isso, é necessário que o bebê esteja em aleitamento materno exclusivo (consumindo apenas leite materno 100% do tempo), sob livre demanda (ou seja, dar o peito sempre que o bebê pedir) e, por último, que a mãe não tenha menstruado ainda. Viu como amamentar é tudo de bom? Isso, sem mencionar em todos os benefícios psicológicos de diminuição da ansiedade e aumento da conexão mãe-bebê.

– Se a mulher engravidar tem que parar de amamentar.

Mito. Para a maioria das mulheres a gestação não contraindica a amamentação. Sendo uma gestação de baixo risco em uma mulher saudável, não há problemas em continuar amamentando. No entanto, nos casos de gestações de maior risco, como na pré-eclâmpsia, restrição do crescimento uterino ou ameaça de parto prematuro, suspendemos a amamentação precocemente. Essa avaliação deve ser feita caso a caso, então é importante conversar com seu time de saúde antes de tomar essa decisão.

– Muita coisa que a mãe come dá cólicas no bebê.

Mito. A “receita” do leite materno é sempre a mesma e independe da alimentação materna. Uma porcentagem bem pequena das proteínas circulantes na corrente sanguínea da mãe pode chegar ao leite materno, sendo insuficiente para causar uma reação intestinal no bebê, a não ser que ele já tenha sensibilidade a alguma proteína específica. É o que acontece quando o bebê tem alergia ao leite de vaca, por exemplo. Nesses casos, orientamos a mãe a restringir o consumo de leite e seus derivados.

– Mulheres com mamoplastia não conseguem amamentar.

Mito. As mulheres com mamoplastia não necessariamente terão problemas na hora de amamentar, no entanto, as cirurgias mamárias têm sido elencadas como uma das causas associadas à interrupção precoce da amamentação. Isso pode acontecer por problemas na produção e ejeção do leite, pois, dependendo da técnica cirúrgica utilizada, pode haver alteração da integridade e do funcionamento da mama. Antes de optar pela cirurgia converse com seu cirurgião plástico sobre os possíveis efeitos e riscos para a amamentação.

A amamentação envolve o corpo da mulher, sua história de vida, sua relação com o parceiro(a), a família, e o contexto onde vive. Não nascemos sabendo amamentar, é um ato a ser aprendido pelas mães e pelos bebês. Converse com seu time de saúde desde o pré-natal sobre as suas dúvidas, angústias, medos e inseguranças. E lembre-se que está tudo bem se houverem desafios no meio do caminho.

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