
Os microplásticos, partículas minúsculas que se desprendem de materiais plásticos usados no dia a dia, como garrafas, sacolas e embalagens, já foram encontrados no sangue, na placenta e até no cérebro humano. Agora, uma nova revisão científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indica que eles também podem estar afetando a saúde dos nossos ossos.
O estudo, publicado na revista Osteoporosis International, foi realizado pelo Laboratório para o Estudo Mineral e Ósseo em Nefrologia (Lemon) e analisou 62 pesquisas internacionais sobre o tema. E o resultado alerta para uma possível ligação entre a exposição aos microplásticos e o enfraquecimento do tecido ósseo, além de danos às células-tronco da medula óssea, responsáveis pela regeneração e formação de ossos saudáveis.
Microplásticos e o metabolismo ósseo
O ortopedista e especialista em terapia celular, Dr. Luiz Felipe Carvalho, o “Dr. Célula Tronco”, explica que o impacto dos microplásticos vai além da poluição ambiental. “O que os estudos começam a mostrar é que o microplástico pode interferir diretamente nas células-tronco da medula óssea, prejudicando a formação e regeneração dos ossos. Isso pode acelerar processos degenerativos e comprometer a densidade óssea a longo prazo”, afirma o médico.
Segundo ele, a descoberta reforça a necessidade de olhar para a saúde óssea de forma mais ampla, considerando não apenas fatores como alimentação, exercício físico e envelhecimento, mas também o ambiente e os agentes externos aos quais o corpo está exposto.
“Além do estilo de vida, existem influências ambientais que estamos começando a compreender melhor. A exposição constante a microplásticos pode ser uma dessas variáveis silenciosas que enfraquecem nosso organismo sem que percebamos”, explica o Dr. Luiz Felipe Carvalho.
O que a pesquisa descobriu
A pesquisa identificou, pela primeira vez, microplásticos no tecido ósseo humano. Os testes mostraram que essas partículas prejudicam as funções das células-tronco da medula óssea, reduzem o crescimento dos ossos e aceleram o envelhecimento celular, além de causar inflamações.
Invisíveis a olho nu, os microplásticos entram no corpo principalmente pela alimentação, por meio de água e alimentos contaminados, e podem se acumular em diversos órgãos e tecidos.
O desafio da mensuração
De acordo com os pesquisadores, ainda há muitas perguntas sem resposta. Até que ponto os microplásticos comprometem a estrutura óssea humana? Qual é o limite seguro de exposição?
“Já sabemos que o microplástico foi identificado em tecidos como o cérebro e a urina, mas a descoberta em ossos humanos é recente. A ciência ainda busca entender as consequências disso, mas as evidências em modelos animais são preocupantes”, explica o Dr. Luiz Felipe Carvalho.
Saúde óssea e prevenção
Enquanto a ciência avança na compreensão desse fenômeno, o especialista reforça a importância de cuidar da saúde óssea com medidas preventivas conhecidas: alimentação rica em cálcio e vitamina D, prática regular de exercícios de impacto e acompanhamento médico periódico.
“Cuidar dos ossos não é apenas uma questão de envelhecimento, é uma questão de qualidade de vida. Quanto mais entendermos o que pode interferir na regeneração óssea, sejam hábitos, hormônios ou fatores ambientais, melhor poderemos prevenir doenças e preservar nossa mobilidade ao longo dos anos”, conclui.










