Estudo revela que fenômeno de investimento “Home Bias” ainda é preponderante

Fenômeno “home bias” é significativo nos mercados em crescimento.

O estudo “Preso em Casa: Home Bias em Portifólios”, que analisa a propensão de pessoas ou instituições investirem em ativos domésticos em detrimento dos externos, revela que a tendência é prevalente em todo o mundo, e mais forte ainda em mercados em crescimento, como o brasileiro.

O paper que acaba de ser divulgado pela Mercer, líder global de consultoria em carreira, saúde, previdência e investimentos, constata que, embora o home bias resulte em concentrações de risco abaixo do ideal, reduzindo a eficiência dos portfólios e tornando-os vulneráveis a uma variedade de riscos de curto prazo, o fenômeno ainda é preponderante por uma série de razões, como a incidência de impostos, a volatilidade cambial, barreiras regulatórias e custos de transação.

“É importante reconhecer que as regulamentações governamentais geralmente limitam o nível permitido de exposição internacional – mas, em nossa experiência, de modo geral os investidores subutilizam a permissão de exposição internacional dessas normas”, afirma Mauricio Martinelli, líder de Investimentos da Mercer Brasil.

Hora de sair de casa

De acordo com o estudo, ao se concentrarem demais no mercado doméstico, os investidores negligenciam todo o espectro de oportunidades, como investimentos em empresas de tecnologia inovadoras e disruptivas e setores econômicos para os quais não há como ter exposição no mercado doméstico. “Os universos de investimento doméstico geralmente oferecem participações muito limitadas no crescimento econômico e corporativo global”, contextualiza Martinelli.

Outra limitação comum do home bias é a variedade, a qualidade e a profundidade das estratégias e dos produtos de investimento oferecidos. O significado disso pode ser ainda mais problemático em países com pequenos mercados de capitais e setores financeiros em desenvolvimento. As ofertas domésticas podem limitar-se a simples mandatos de títulos e ações domésticos, gerenciados por um pequeno número de gestores com abordagens sem diferenciação.

“Ao se limitarem a estratégias e produtos dominados pela exposição doméstica, os investidores renunciam a uma ampla gama de oportunidades fora do mercado local – restringindo a eficiência da construção de portfólio e da gestão de riscos – com custos de oportunidade particularmente altos em mercados nacionais pequenos ou restritos”, complementa o consultor.

“Temos estimulado nossos clientes a revisar suas alocações estratégicas e a reavaliar a lógica do investimento direcionado ao home bias em diferentes classes de ativos. O lar é onde está o coração, mas às vezes os investidores devem sair de casa para obter os melhores resultados de investimento”, conclui Martinelli.

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