Comércio de bens e serviços poderá crescer em seu ritmo mais lento em uma década

Euler Hermes divulga relatório comercial global de 2019.

Relatório divulgado pelas equipes das empresas Allianz e Euler Hermes Economic Research prevê que o comércio global de bens e serviços tenha o crescimento em seu ritmo mais lento em uma década.

Em relatório divulgado recentemente pelas equipes das empresas Allianz e Euler Hermes Economic Research, a previsão é que o comércio global de bens e serviços tenha crescimento em seu ritmo mais lento em uma década (+ 1,5%), com provável perda de 420 bilhões de dólares para os exportadores.

As principais vítimas da recessão comercial, segundo o relatório, foram China (-USD 67 bilhões), Alemanha (-USD 62 bilhões) e Hong Kong (-USD 50 bilhões), bem como os setores de Eletrônicos (-USD 212 bilhões), Metais (-USD 186 bilhões) e Energia (-USD 183 bilhões).

Para os eletrônicos, a culpa é do choque de preços nos semicondutores de memória (-40% em 2019) e dos volumes mais baixos na maioria dos outros segmentos. Para os setores de metais e maquinário, os preços de commodities ficarão estáveis, mas ainda baixos, com volumes em queda devido à ampla desaceleração da manufatura e incerteza comercial sobre as exportações.

Além da desaceleração do crescimento global (+ 2,5% em 2019, após + 3,1% em 2018), podem ser atribuídos diretamente à elevada incerteza e às tarifas globais mais altas, de acordo com as estimativas da Euler Hermes.

Perspectivas de exportação para 2020

Para 2020, os setores de eletrônicos (-USD 47 bilhões), metais (-USD 42 bilhões), máquinas e equipamentos (-USD 27 bilhões) continuarão a sofrer. Para os eletrônicos, o choque de 2019 continuará a afetar o setor, com efeitos limitados nos preços dos chips relacionados ao 5G.

Por outro lado, os setores de software e serviços de TI (USD 62 bilhões), agroalimentar (USD 41 bilhões) e produtos químicos (USD 37 bilhões) terão ganhos moderados nas exportações. Os serviços de software e TI continuam com sua tendência estrutural ascendente, impulsionada principalmente pelos desenvolvimentos na China, embora o crescimento do valor deva desacelerar de 17% em 2018 para 12% em 2019 e 11% em 2020.

Além disso, as exportações de produtos agroalimentares continuam a ser sustentadas por um forte crescimento populacional, mas é provável que desacelerem, pois as perspectivas para os preços das commodities estão em baixa e os pontos de venda do varejo estão em desordem. As exportações de produtos químicos também devem sofrer uma forte desaceleração, devido à desarranjo em concessionárias de automóveis, mas permanecem positivo.

Vale lembrar que os ganhos de exportação em dólares são baseados em três indicadores principais: (1) as projeções de exportações em termos de volume (exportações mais altas em 2020 significam ganhos de exportação mais altos), (2) o deflator de exportações (preços mais altos de exportações também impulsionam ganhos) e, finalmente, (3) a projeção da taxa de câmbio com os EUA (a valorização da moeda impulsiona os ganhos de exportação em dólares).

Cenário nacional

Para o Diretor de Riscos da Euler Hermes no Brasil, Felipe Tanus, a perspectiva para as exportações brasileiras em 2020 serão positivas, indo em contramão ao cenário internacional e, mais uma vez, espera-se que a China tenha papel fundamental nesse ciclo. A perda do rebanho suíno fez com que o país asiático recorresse a carne bovina brasileira em 2019, assim como a suína e de frango. O mercado brasileiro, especialmente bovino, tem potencial para atender a demanda chinesa e usufrui do momento para aumentar seus ganhos através da pauta exportadora.

A expectativa é que isso permaneça ao longo de 2020 e, aliado ao cenário de depreciação do Real frente ao Dólar, que tem se mantido no patamar de R$ 4,00, tornam os produtos exportados mais baratos para economias estrangeiras, impulsionando as exportações e, consequentemente, favorecendo o crescimento da economia brasileira.

Entretanto, o aumento das exportações de carne impactam nos preços internos, visto que a produção é alocada para atender a demanda do comércio internacional, como já foi apresentado em novembro. De acordo com os dados apresentados pelo IBGE, o IPCA registrou +0,51% em novembro de 2019 devido o avanço dos preços das carnes neste período.

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