Especialização, curadoria e segurança tornam os agentes cada vez mais relevantes em um setor que movimenta bilhões e se consolida como motor da economia brasileira.

O turismo brasileiro vive um momento de forte expansão e, nesse cenário, as agências de viagens ampliam seu protagonismo no planejamento das jornadas dos viajantes. Mais do que intermediárias de serviços, as agências se consolidaram como consultorias estratégicas, transformando o planejamento de viagens em experiências personalizadas, eficientes e seguras. A avaliação é da ABAV Nacional – Associação Brasileira de Agências de Viagens –, entidade que representa os agentes de viagem em todo o país e acompanha de perto a evolução do comportamento do viajante e das dinâmicas do mercado turístico.
Segundo projeções da Revista Tendências do Turismo 2026*, para este ano, o setor projeta um cenário robusto de expansão, impulsionado por um crescimento global que pode chegar a 8% nas chegadas e 9,8% nos gastos de turistas internacionais. No Brasil, o turismo doméstico continuará sendo o grande motor, com uma estimativa de 367,4 milhões de viajantes, gerando US$ 23,2 bilhões em gastos diretos com hospedagem e alcançando aproximadamente 868 milhões de pernoites, o que representa um expressivo avanço de 19,5% em relação aos níveis pré-pandemia.
Para a ABAV Nacional, esse cenário reforça o papel estratégico das agências na conexão entre viajantes, destinos e fornecedores da cadeia turística. “O agente de viagens atua como consultor, planejador e curador de experiências, ajudando o viajante a tomar decisões mais seguras e assertivas em um mercado que oferece cada vez mais opções”, afirma Ana Carolina Medeiros, presidente da ABAV Nacional.
Curadoria e planejamento em um mercado cada vez mais complexo
A expansão das plataformas digitais ampliou o acesso à informação e multiplicou as opções de viagem disponíveis. Ao mesmo tempo, esse cenário aumentou a complexidade do planejamento — especialmente em itinerários que envolvem múltiplos destinos, conexões internacionais, exigências documentais, seguros, hospedagens e experiências locais. Nesse contexto, o papel do agente de viagens se fortalece como especialista na organização da jornada do cliente, estruturando itinerários completos e garantindo maior previsibilidade ao viajante.
De acordo com a ABAV Nacional, as agências desempenham papel fundamental na dinamização da atividade turística ao conectar viajantes a destinos e serviços turísticos, contribuindo também para a organização e profissionalização da cadeia produtiva do turismo. “Viajar envolve investimento financeiro, tempo e expectativas. O agente de viagens é o profissional que organiza todas essas variáveis para que a experiência aconteça de forma tranquila, mais segura e alinhada ao perfil de cada cliente”, explica Ana Carolina Medeiros.
Tendências reforçam o papel das agências
O comportamento do viajante vem passando por transformações importantes. Experiências personalizadas, viagens com propósito e roteiros que combinam lazer, cultura e bem-estar estão entre as principais tendências que vêm moldando o turismo contemporâneo. No Brasil, segmentos como turismo de natureza, turismo gastronômico, turismo cultural e afroturismo têm ganhado destaque. Roteiros que valorizam a história cultural brasileira vêm despertando crescente interesse de visitantes em destinos como Salvador, Rio de Janeiro, Recife, São Luís e em iniciativas culturais em cidades como Porto Alegre, que desenvolvem roteiros voltados à valorização da memória afro-brasileira.
Outra tendência relevante é a consolidação das microescapadas, viagens de curta duração que permitem pausas mais frequentes na rotina e impulsionam o turismo doméstico ao longo do ano. Também cresce o movimento conhecido como bleisure, quando viagens de negócios (business) são combinadas com experiências de lazer (leisure) no destino.
O setor também observa o avanço do turismo sênior, impulsionado pelo aumento das atividades e da qualidade de vida das pessoas acima de 60 anos. Esse público tem buscado cada vez mais viagens organizadas, com roteiros culturais, gastronômicos e experiências que privilegiam conforto, segurança e planejamento detalhado.
Ao mesmo tempo, cresce a demanda por roteiros de luxo e experiências exclusivas, com viajantes buscando itinerários altamente personalizados, hospedagens diferenciadas e acesso a experiências únicas nos destinos. Tendências globais apontam para o fortalecimento do chamado luxo experiencial, que valoriza autenticidade, privacidade e curadoria especializada — como viagens multigeracionais, turismo gastronômico premium, retiro de bem-estar e roteiros personalizados em destinos naturais e culturais.
O lazer continua sendo o carro-chefe das viagens, mas os turistas de 2026 querem que esse tempo livre seja preenchido com experiências autênticas, bem-estar, imersão cultural e conexões emocionais mais profundas. Nesse ambiente, cresce a demanda por orientação especializada para estruturar itinerários completos e personalizados. “Em um cenário com excesso de informação e inúmeras opções disponíveis, o agente de viagens se torna um guia confiável para o viajante. É ele quem ajuda a transformar um deslocamento em uma experiência realmente significativa”, afirma a presidente da ABAV Nacional.
Turismo impulsiona a economia brasileira
Além de impactar diretamente a experiência do viajante, o fortalecimento das agências também contribui para impulsionar a economia do turismo no Brasil. “O turismo é uma atividade que gera emprego, renda e desenvolvimento em diversas regiões do país. As agências de viagens são parte fundamental dessa engrenagem, porque conectam destinos, empresas e viajantes, impulsionando toda a cadeia produtiva do setor”, conclui Ana Carolina Medeiros.
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