Movimento dos Sem Palco busca apoio para realizar a “Virada Paralela”

Iniciativa é destinada a artistas que ficaram sem palco na Virada Cultural dos últimos anos.

 Imagens: MSP/Divulgação

Nesta terça-feira, 02/06, um grupo formado por oito integrantes do Movimento dos Sem Palco (MSP) foi recebido nos gabinetes dos vereadores Nabil Bonduki e João Ananias. Na visita, o grupo apresentou aos parlamentares, uma proposta para a realização de uma Virada Cultural paralela, já que a curadoria da Virada Cultural, realizada em maio último, simplesmente ignorou os artistas independentes.

Os números da Virada Cultural 2026, mais uma vez, repetiram o modelo de anos anteriores, com cachês milionários para celebridades do show business. “Das mais de 5.000 inscrições na Virada, apenas 109 foram selecionadas, ou seja, 2% dos inscritos. Das 1.200 atrações propaladas pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), 1.100 foram convidadas sem participar da licitação ou fazer sua inscrição, com cachês acima dos 700 mil reais, a SMC fazendo isso, dá um tapa na cara da classe artística brasileira”, exclama Walter Egéa, artista e empreendedor cultural que encabeça o MSP. “Ora, qual é, mesmo, o propósito da Virada?”

Reunião do MSP com o vereador João Ananias.

RECEPTIVIDADE

Nas reuniões com os vereadores, além de Walter Egéa, estiveram a jornalista Sandra de Angelis, da startup Disruptivos Culturais, a produtora Andrea Couto, e os músicos Ive de Oliveira, Fernando Molinari, José Xavier, Roberto Souza e Pedro Lupe. “Nós, artistas independentes, queremos um espaço na agenda cultural paulistana, onde a inclusão contemple a diversidade criativa do artista independente”, defende Ive, que também se mobiliza pela inclusão dos artistas 50+ e os 18-. “Esses dois extremos da atividade artística são sempre alijados, mesmo com tanto a contribuir para a arte e a cultura brasileiras”, encerra.

Sandra de Angelis considera que a receptividade dos vereadores é mais um passo importante que o MSP dá, com vistas a conquistar um espaço de valor nos eventos realizados pela Prefeitura de São Paulo. “Temos claro que nossa pauta é política, não no sentido de confrontar estruturas partidárias. Queremos furar a bolha midiática dos ‘hits’ e dos ‘trends’, tão recorrentes nos calendários da Virada de outros eventos promovidos com recursos públicos. Daí iniciamos um caminho de cidadania em direção aos nossos objetivos”.

 MSP com o assessor do Paulo Rodrigues, assessor do vereador Nabil Bonduki.

PRÓXIMOS PASSOS

A organização do MSP vai detalhar sua proposta da Virada Paralela, inicialmente para os dias 23 e 24 de agosto, a realizar-se na Praça Roosevelt, no Centro da Cidade. Esse projeto será encaminhado a ambos os vereadores, com vistas a requererem verbas parlamentares para custear o evento. “O fato é que nós não vamos desistir de pleitear um palco para chamar de nosso”, decreta Egéa.

O grupo busca apoio político não partidário nos âmbitos municipal, estadual e federal, bem como patrocínios privados, para tornar a iniciativa sustentável e inclusiva. O MSP também pediu apoio jurídico dos gabinetes visitados para uma ação junto ao Ministério Público (MP) que estabeleça teto para esses cachês de celebridades, bem como, mais transparência nos processos de curadoria do evento.

A VIRADA 2026

A Virada Cultural 2026 reuniu 4,8 milhões de pessoas, movimentou R$ 1,1 bilhão na economia e alcançou 99% de aprovação, segundo dados da Secretaria Municipal de Cultura. Com o tema “O Festival dos Festivais”, a festa contou com mais de 1,2 mil atrações e 21 palcos espalhados do centro às periferias. Tudo lindo, mas mais de 5.000 artistas que se inscreveram para o evento ficaram fora da festa. As razões dessa exclusão estão em uma caixa preta da Secretaria Municipal de Cultura.

O Movimento dos Sem Palco (MSP), nascido no final de fevereiro deste ano, surgiu organicamente a partir de uma série de acessos do artista Walter Egéa, que tentava se inscrever na plataforma da prefeitura para participar da Virada. Além das dificuldades da plataforma, que pedia documentos e burocracias quase impossíveis de serem entregues para a maioria dos artistas. O brado acabou atraindo artistas de todos os segmentos e algumas visitas foram feitas à SMC, primeiro para pleitear a extensão do prazo de inscrições, e depois, para que a representatividade desse grupo fosse ouvida. Nenhuma das pautas obteve resposta. Um evento ou ações paralelas dariam espaço para esses artistas excluídos, indo ao encontro do propósito da Virada, que é a diversidade cultural.

SERVIÇO:

Um grupo de WhatsApp concentra as adesões artísticas https://chat.whatsapp.com/KgBB7sMDoY06Zl12GT0dtg?mode=hqctswi

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