Bruma Alta: do café premiado ao vinho de identidade do Cerrado Mineiro

A trajetória da Bruma Alta acompanha um movimento crescente no Brasil: a busca por diversificação agrícola aliada à produção de alto valor agregado.

Fotos: Fazenda Bruma Alta/Divulgação

Em meio às paisagens do Cerrado Mineiro, região já consagrada pela produção de cafés especiais, a Fazenda Bruma Alta começa a escrever um novo capítulo: o da vitivinicultura brasileira. Localizado entre Serra do Salitre e Patrocínio, em Minas Gerais, o empreendimento une tradição agrícola, inovação e propósito social ao apostar na produção de vinhos finos de colheita de inverno.

À frente do projeto estão o empresário e produtor rural Roni de Moraes Leme e sua sócia, Iêda Maria Paiva, que decidiram expandir os horizontes da fazenda — até então reconhecida pela cafeicultura — para explorar o potencial do terroir do Cerrado também na produção de uvas viníferas.

DO CAFÉ AO VINHO

A trajetória da Bruma Alta acompanha um movimento crescente no Brasil: a busca por diversificação agrícola aliada à produção de alto valor agregado. Se o café já colocou Minas Gerais em destaque mundial, agora o vinho surge como uma nova fronteira.
O projeto vitivinícola teve início em 2022, com o plantio das primeiras variedades: Cabernet Sauvignon, Marselan, Malbec e Sauvignon Blanc. Posteriormente, novas uvas foram incorporadas, como Chenin Blanc e Syrah, ampliando a diversidade e as possibilidades enológicas da vinícola.

A escolha pela técnica da colheita de inverno — característica de regiões como o Cerrado Mineiro — permite maior controle da maturação das uvas, favorecendo a qualidade dos vinhos. O resultado são rótulos que buscam expressar a identidade local, com equilíbrio, complexidade e elegância.

Os vinhos tintos seguem um processo rigoroso: são lançados apenas três anos após a vindima, priorizando maior evolução em garrafa e sofisticação sensorial.

PRODUÇÃO LIMITADA

Ainda em fase de consolidação, a Bruma Alta aposta em uma produção enxuta e criteriosa. A safra inaugural, em 2024, contou com apenas 700 garrafas. Já na segunda safra, esse número saltou para 2.200 unidades, atualmente em amadurecimento em barricas.
Para 2026, a expectativa é alcançar cerca de 4 mil garrafas, com potencial de expansão para até 8 mil unidades anuais nos próximos anos, especialmente com o plantio de novos vinhedos em solos de origem vulcânica.

Os vinhos tintos seguem um processo rigoroso: são lançados apenas três anos após a vindima, priorizando maior evolução em garrafa e sofisticação sensorial — uma estratégia que reforça o posicionamento premium da marca.

TROCA INTERNACIONAL

O reconhecimento da fazenda já ultrapassa fronteiras. Em 2025, a Bruma Alta recebeu a visita de uma comitiva de empresários de Angola, interessados em conhecer as práticas agrícolas da região, especialmente no cultivo de café e na emergente produção de vinhos.
A visita fez parte de um movimento de cooperação e troca de conhecimentos, impulsionado pelo interesse angolano em diversificar sua produção agrícola. Durante a experiência, os visitantes puderam acompanhar de perto tanto a cafeicultura quanto o vinhedo da propriedade.

Para Roni de Moraes Leme, iniciativas como essa reforçam o papel do Cerrado Mineiro como referência global: não apenas na produtividade do café, mas também como um novo polo promissor da vitivinicultura brasileira.

À frente do projeto estão o empresário e produtor rural Roni de Moraes Leme e sua sócia, Iêda Maria Paiva, que decidiram expandir os horizontes da fazenda.

VINHO COM PROPÓSTO

Mais do que produzir vinhos, a Bruma Alta também aposta no impacto social. Um dos principais exemplos é o leilão beneficente “Vinhos & Vidas”, que chega à sua segunda edição no dia 20 de junho.
Idealizado pelos proprietários, o evento reúne rótulos exclusivos, itens raros e experiências ligadas ao universo do vinho. Na primeira edição, o leilão arrecadou R$ 50 mil diretamente, além de movimentar cerca de R$ 180 mil em lances e doações.
A expectativa para este ano é superar os resultados, reunindo empresários, produtores, colecionadores e apreciadores em uma experiência que combina sofisticação, exclusividade e solidariedade.

UM NOVO HORIZONTE

A história da Bruma Alta reflete uma tendência mais ampla: a valorização de novos terroirs brasileiros e o fortalecimento de uma vitivinicultura com identidade própria.

Ao unir café, vinho e impacto social, a fazenda se posiciona como um exemplo de inovação no campo — mostrando que tradição e futuro podem caminhar lado a lado, impulsionando o desenvolvimento regional e colocando o Cerrado Mineiro no mapa dos grandes vinhos do Brasil.

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