Um trabalhador é afastado por minuto no Brasil por questões mentais

O trabalho, quando gera sobrecarga, quando se mistura excessivamente com a vida pessoal e quando se torna um peso, contribui negativamente para a saúde mental, alerta o especialista em neurociências, Flávio Nunes.
O trabalho pode ser fonte de realização, mas quando gera sobrecarga, se mistura excessivamente à vida pessoal e se torna um peso.

 Fotos: Divulgação

Os números ligados à saúde mental no Brasil nunca foram tão alarmantes. Dados do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2024, um trabalhador foi afastado do serviço por questões mentais a cada minuto.

A média é de 1.205 afastamentos por dia, totalizando cerca de 440 mil casos no último ano, o maior índice já registrado pelo órgão. Em relação a 2023, o aumento foi de quase 67%.

Entre as causas mais frequentes estão transtornos de ansiedade (141.414 casos), episódios depressivos (113.604), transtorno depressivo recorrente (52.627), transtorno afetivo bipolar (51.314), além de problemas ligados ao uso de substâncias psicoativas e estresse grave. O dado mais preocupante é o crescimento dos afastamentos por ansiedade: alta superior a 400% na última década.

O IMPACTO DO TRABALHO É FUNDAMENTAL

O especialista em neurociências Flávio Nunes.

Para o especialista em neurociências Flávio Nunes, o contexto profissional tem papel determinante nessa escalada. “O trabalho pode ser fonte de realização, mas quando gera sobrecarga, se mistura excessivamente à vida pessoal e se torna um peso, passa a contribuir de forma negativa para a saúde mental. Falta de pausas, metas inalcançáveis e jornadas prolongadas são gatilhos importantes de serem observados e podem evoluir para, por exemplo, um burnout”, explica.

De acordo com ele, a hiperconexão e a falta de limites claros entre a vida profissional e pessoal intensificam o problema. Vivemos uma era em que o celular tornou o trabalho onipresente. Essa ausência de fronteiras mantém o cérebro em alerta constante, elevando níveis de cortisol e aumentando risco de adoecimento psíquico”, completa Flávio Nunes.

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