O Brasil precisa agregar valor às exportações e buscar complementariedade

Presidente da CNI falou a empresários e investidores nesta quarta-feira (14) no evento do Brazil Summit, em Nova York. Atividade faz parte da missão promovida pela entidade aos EUA.

Trabalho conjunto do governo, da indústria e dos demais setores da sociedade é indispensável para que o país crie mais oportunidades, prosperidade econômica e inclusão social.

A busca pela complementaridade ao invés do confronto, a agregação de valor às exportações e o uso das vantagens competitivas do país, principalmente voltadas para a economia verde, são os principais pontos defendidos pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, para destravar o potencial verde do Brasil. O dirigente falou para empresários e investidores no evento Brazil Summit , promovido pelo jornal Financial Times nesta quarta-feira (14), em Nova York (EUA).

Segundo Alban, o trabalho conjunto do governo, da indústria e dos demais setores da sociedade é indispensável para que o país crie mais oportunidades, prosperidade econômica, inclusão social e deixe um legado ambiental positivo para o planeta.

Confira os principais temas abordados por Alban no evento que deu continuidade às atividades da comitiva lideradas pela CNI aos Estados Unidos.

Busca por complementaridade, não confronto

Para o presidente da CNI, a solução para avançar em competitividade sem produzir conflitos é buscar complementaridade entre os países, aproveitando as vantagens competitivas de cada um, por meio de parcerias pragmáticas e setoriais e evitando discussões repetitivas e ideológicas. Como exemplo, Alban citou a produção de etanol para Combustível Sustentável de Aviação (SAF). “Em vez de competir com os Estados Unidos no etanol, vamos fazer uma parceria forte, tecnológica e seremos fornecedores de SAF para o mundo”, destacou.

Relação com a China e oportunidades de economia verde

Alban destacou que o setor industrial brasileiro está buscando construir uma nova relação com a China que não seja apenas baseada no fornecimento de commodities. Para isso, avalia, o Brasil precisa utilizar suas vantagens competitivas, especialmente aquelas relacionadas à sustentabilidade e à economia verde. “Ainda existe muito espaço para o processo de industrialização de commodities, seja de minerais críticos, seja no setor agropecuário, seja em outras atividades de produção incipiente. Temos muitas oportunidades”, disse.

O presidente destacou que é reconhecido pela enorme escala e produtividade da indústria chinesa, o que dificulta a competição direta. Por isso é essencial que o Brasil invista em produtividade e inovação para se manter competitivo.

Agregação de valor e foco estratégico

Alban disse ainda que é um pouco realista tentar competir com outros países em setores de altíssima tecnologia como semicondutores em grande escala. No entanto, o Brasil pode atuar em nichos da cadeia produtiva, como o beneficiamento de minerais críticos, que são importantes para a transição energética. A ideia é construir uma cadeia de valor compartilhada com países como os EUA, em que o Brasil agregue valor inicial e os parceiros avancem nas etapas seguintes.

“Vamos beneficiar esses minerais onde eles existem. E vamos recarregar esse valor com energia limpa. Onde é que temos energia limpa a um custo razoável? Temos a capacidade hoje já pesquisada e elevada de gerar 700 GB de energia eólica no Brasil. E hoje temos energia eólica sobrando”.

Política industrial e medidas antidumping

Ao ser questionado sobre a imposição de medidas de segurança e antidumping, Alban disse que devem ser racionais e setoriais, para evitar o protecionismo ineficiente. “O Brasil precisa garantir condições mínimas de competitividade frente ao parque industrial chinês. A busca de salvaguardas deve servir para que nossa economia, nosso parque industrial, nossa capacidade produtiva possa caminhar um pouco mais rápido para diminuir o hiato que é dessa competitividade”.

Políticas públicas de longo prazo, por meio de projetos de Estado

Alban defendeu a racionalidade para que o país avance em políticas públicas em áreas relevantes como educação, por exemplo, tendo em vista como condição essencial para o sucesso industrial. “Com a racionalidade, você espera que venha a qualidade, venha a produtividade e a cobrança [da responsabilidade]. Vamos pensar juntos e construir parcerias pensando no amanhã, não no agora. Assim podemos nos planejar e construir políticas públicas de longo prazo e de Estado, não políticas de mandato”, disse.

Nesse sentido, Alban destacou que a CNI está trabalhando em conjunto com confederações de outros setores produtivos para elaborar e apresentar ao governo o projeto Brasil+25, proposta de desenvolvimento de longo prazo para alavancar o crescimento socioeconômico do país.

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