Dicas culturais para explorar museus, centros e espaços alternativos em Sampa

Docente do curso de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina aponta mostras que dialogam com temas atuais e trazem perspectivas além do eurocentrismo.

A exposição “O Poder de Minhas Mãos” está aberta ao público no Sesc Pompéia. (Foto: Divulgação | Faculdade Santa Marcelina | ShutterStock)

São Paulo vive uma fase vibrante no circuito das artes visuais, com exposições que cruzam geografias, temporalidades e novas formas de olhar o mundo. Para quem quer aproveitar o melhor da programação cultural da cidade, a professora Cristina Susigan, do curso de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina, indica os eventos que combinam reflexão, descoberta e lazer.

Um dos pontos altos da temporada é a exposição “O Poder de Minhas Mãos”, no Sesc Pompeia, parte da temporada França-Brasil. A mostra reúne 25 artistas mulheres, com forte presença de criadoras da diáspora africana, e oferece um panorama potente sobre práticas contemporâneas que deslocam o olhar para além do eixo eurocêntrico. “É uma mostra que soma por apresentar artistas da diáspora do continente africano, possibilitando um novo olhar do mundo e dos nossos referenciais eurocêntricos. É um tema onde concentro minhas pesquisas acadêmicas.”, afirma Susigan.

ITINERÁRIOCULTURAL

Também integrada à temporada França-Brasil, a exposição “A Terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu de Errância com Édouard Glissant”, no Instituto Tomie Ohtake, parte do livro “A Poética da Relação” para reunir obras de mais de 30 artistas das Américas, Caribe, África, Europa e Ásia. “A exposição amplia o pensamento crítico e o nosso olhar. É uma abordagem importante para deslocar o olhar para além do campo eurocêntrico”, explica.

Outro destaque é “Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro”, no MAC-USP, que revisita o artista por meio de 115 desenhos do acervo do museu. “A exposição nos apresenta um novo olhar sobre Di Cavalcanti. Dividida em seis módulos, ela desmistifica um artista que achamos conhecer muito, mas percebemos que pouco sabemos”, comenta.

Essas escolhas refletem o próprio método de Susigan ao montar seu itinerário cultural. Para ela, o tema é sempre o primeiro filtro. “Se o assunto é relevante, posso levar para a sala de aula como indicação aos alunos e discussão posterior. As exposições abrem caminhos para reflexões transversais e dialogam com diferentes campos do saber.”

PASSEIOS FORA DO CIRCUITO TRADICIONAL

A professora destaca um lugar que tem surpreendido visitantes: Cidade Matarazzo, que recebe a exposição “Re-Selvagem. Natureza Inventada”, da francesa Eva Jospin. A artista cria florestas inteiras utilizando papelão corrugado, em esculturas monumentais que misturam poesia, textura e imponência visual.

“É a primeira vez que a artista expõe no Brasil. Às terças-feiras a entrada é gratuita, mediante reserva”, ressalta. Um ótimo programa para quem gosta de experiências imersivas e pouco convencionais.

PARA MONTAR SEU ROTEIRO CULTURAL

Segundo Susigan, o segredo de um bom passeio cultural está em deixar que as narrativas das exposições guiadas pela cidade conduzam o olhar. “As temáticas são transversais e interdisciplinares. Cada mostra amplia o conhecimento, desloca pensamentos e ajuda a construir repertório, seja para artistas, estudantes ou qualquer pessoa interessada em compreender o mundo pela arte”, conclui.

SERVIÇO?

Faculdade Santa Marcelina

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