Setembro amarelo: sete passos para praticar a educação com afeto

Mês de setembro – que traz a importância da prevenção ao suicídio – reascende a discussão da importância do afeto na educação.

Por Augusto Jimenez*

O vídeo da Tia Cacau viralizou na internet e comoveu pessoas em São Paulo e no país.

Mudar um sistema que consiste apenas no aprendizado racional e direto em que um protagonista fala e os demais escutam é o desafio de muitos docentes. Lev Vigotski (1896-1934), Jean Piaget (1896-1980) e Henri Wallon (1879-1962) formam a tríade de pensadores que já se debruçavam sobre o tema afetividade na educação desde 1900. Os três levantaram questões importantes sobre a construção do conhecimento e como essa não é limitada apenas a via da racionalidade.

Nomes de agosto, o vídeo da Tia Cacau, estudante de pedagogia e auxiliar da professora titular de uma escola de São José do Rio Preto, viralizou. A estudante Camila Magalhães criou uma maneira diferente na recepção dos seus alunos. Os estudantes, do primeiro ano da escola, precisam de uma senha para entrar na sala. Os símbolos de um coração, mãos e música ficam pregados ao lado da porta e os pequenos devem escolher um deles para entrar no ambiente escolar. Que consistem em um abraço, uma canção , ou um “toca aqui”.

E por que algo tão simples e bonito, como o vídeo da Tia Cacau, viralizou na internet e comoveu a tantas pessoas de São Paulo e no país?!

A Tia Cacau fez uso da competência socioemocional como educadora. Aplicou a educação com afeto. ” A educação, assim como as áreas de saúde, têm uma carga teórica muito grande. Médicos e professores recebem muitos conteúdos nas universidades, porém o sucesso na condução das suas profissões está muito mais ligado a capacidade de interação com as pessoas, de ouvi-las, e compreendê-las do que com a capacidade de assimilar o máximo de conhecimentos teóricos q”, evidencia Augusto Jimenez, diretor da rede educacional Minds English School e psicólogo educacional.

Para transformar a rotina na sala de aula, seja infantil e/ou universitária, Augusto Jimenez, psicólogo educacional da Minds Idiomas, lista sete dicas para construir a educação com afeto:

1) Busque autoconhecimento

Desmistificar que o ensino consiste em apenas transmitir conhecimento é o primeiro passo. O professor deve agir como mediador auxiliando os estudantes a serem protagonistas de sua rotina, incluindo limites, e amor na relação. E para isso, o autoconhecimento é o mais importante. Procurar compreender quais são as suas limitações, fazer terapia, buscar se entender antes de auxiliar o outro, ou neste caso auxiliar o aluno é o mais importante neste processo. Ser gentil consigo mesmo. Muitas vezes o método de ouvir e entender uma turma não irá funcionar com outra turma. Aceitar isso, aceitar que nem sempre o estabelecimento dos laços será possível, é um importante amadurecimento na educação afetiva. A frustração faz parte de qualquer tipo de relação humana.

2) Se atente aos pequenos detalhes

Assim como a Tia Cacau se atentou que quando entramos em um ambiente, a forma como somos recepcionados é muito importante, outras ações podem ser de grande valia. Como: fazer a chamada pelos nomes e não por números, sempre iniciar as aulas afirmando que os alunos podem falar com você após o período das classes sobre qualquer dificuldade, e principalmente observar o comportamento dos estudantes dentro e fora da sala de aula. Muitas vezes os alunos estão passando por situações que não imaginamos. Na era atual em que muitas relações se tornaram apenas digitais e os pais têm que se manter mais em seus trabalhos, com altas cargas de horários e trabalho, a escola se torna o único ambiente de interação das crianças e jovens.

3) Educação afetiva fora da sala de aula

A preocupação em ouvir o outro, ter empatia, e estabelecer a sinergia entre razão emoção não deve se limitar apenas dentro da sala de aula. Todos os colaboradores do ambiente escolar e gestores devem promover e estabelecer relações dessa forma. Lembre-se que a escola é feita por todos os departamentos que a compõe e para se ter uma educação com afeto na condução das aulas, o ambiente educacional como um todo deve contribuir para esse fim.

4) O aluno não é um quadro em branco

Ao escutar as expectativas e conceitos de vida dos estudantes abre-se ideias e formas de transmitir o conhecimento. O docente é capaz de unir o conteúdo que precisa passar com o interesse desses estudantes. Isso traz o aluno para próximo do docente, do conteúdo, e da disciplina estudada. As experiências que esses estudantes já possuem ajudam na construção da base dos novos conhecimentos que eles estarão recebendo do docente.

5) Aceite, acolha e compreenda as críticas dos estudantes

O ser humano não é programado para aceitar as críticas que recebe. E isso envolve os professores também. Muitos alunos podem não aceitarem ou gostarem da forma como você se coloca, ensina, e estabelece as relações. Até mesmo se você optou pela educação com afeto e não pragmática. Neste momento, escute-os e tente entender como respeitar o limite deles. Não significa se anular ou deixar de acreditar no que você estava fazendo. Significa olhar para o que está sendo dito. É usar realmente os outros sentido além de escutar. Prestar atenção nesses alunos e adaptar caso seja possível o que tenha escutado não é perder a autoridade, e sim respeitar os limites deles e incluir os seus.

6) Lembre sempre aos seus estudantes: a condição de aluno nunca desaparece

Essa dica é muito importante independente desse aluno ter o desejo de ser professor no futuro e/ou outro profissional. Quando lembramos que já fomos alunos, recordamos do nosso processo de aprendizado e mais do que isso conseguimos “traduzir” o que é complexo de uma forma mais simples para as outras pessoas. Seja um médico que precisa simplificar o diagnóstico para a família do paciente ou um odontólogo que necessita explicar para uma mãe a saúde bucal do filho. É sempre ter em mente que fomos alunos para aprender, e aprendemos para simplificar para os demais pessoas.

7) Valorize a interação com o aluno

Autorizar ou não o uso de celulares entra nesse tópico. Alguns docentes proíbem o uso do smartphone dentro da sala de aula, outros liberam para uso escolar. A questão nesse tópico é o uso que fazemos. A tecnologia não é ruim, mas como toda ferramenta precisa ter cautela no uso. A interação humana é ainda a melhor para desenvolver os laços afetivos e conteúdos complexos, porém a tecnologia pode auxiliar nesse processo. Analise a sua turma, cheque se seria bom incluir algum aparato tecnológico, mas lembre-se de visar sempre a melhoria da relação com os estudantes seja ela por meio da tecnologia ou de outras formas.

*Augusto Jimenez é diretor nacional da Minds, atua com educação há 12 anos e já auxiliou mais de 10 Mil estudantes como psicólogo na Minds English School.

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SERVIÇO:

Para saber mais:mindsidiomas.com.br

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