OPAVIVARÁ! ocupa Casa Museu Eva Klabin em comemoração aos 15 anos do RESPIRAÇÃO com obra inédita.

Coletivo apresenta “Panis et Circenses” pela primeira vez ao público. A 24ª edição do RESPIRAÇÃO, com curadoria de Marcio Doctors, abre no dia 14 de setembro e faz parte do circuito vip da ArtRio.

 

Panis et Circenses
(Mario Grisolli)

A Casa Museu Eva Klabin recebe o coletivo OPAVIVARÁ! para a edição comemorativa de 15 anos do RESPIRAÇÃO. A exposição, com curadoria de Marcio Doctors, inaugura no dia 14 de setembro, e além de obras já conhecidas, traz a inédita Panis et Circenses, criada especialmente para a ocasião. O RESPIRAÇÃO, que faz parte do circuito vip da ArtRio, foi idealizado para levar um frescor ao importante acervo de arte clássica da Casa Museu Eva Klabin, ao criar uma ponte entre a arte consagrada do passado e a arte contemporânea.

“A escolha do OPAVIVARÁ! se deu por três razões. A primeira foi que eu queria trazer uma experiência de coletivo. A segunda, que estamos comemorando 15 anos do RESPIRAÇÃO e é uma edição festiva. E ninguém melhor do que o OPAVIVARÁ! para fazer uma festa. Ele tem alegria, humor, transgressão e irreverência. É sério sem ser sisudo e toca em questões importantes. A terceira razão foi porque eu acho que estamos atravessando um momento muito difícil na cidade do Rio de Janeiro e trazê-lo seria uma maneira de ajudar a levantar o astral do carioca”, explica Marcio Doctors, curador da Casa Museu Eva Klabin e do RESPIRAÇÃO.

E como em toda boa festa não se pode faltar comida, o OPAVIVARÁ! apresenta a obra inédita Panis et Circenses, uma bolha na qual o público poderá comer e beber dentro da Casa Museu Eva Klabin. A intervenção ficará na Sala de Jantar e promete ser o grande destaque da exposição com um espaço criado pelo ar que é insuflado dentro dela e, como o pulmão, pulsa num movimento de inspiração e expiração, tal como uma respiração.

“Panis et Circenses é quando o coletivo manifesta o sentido mais transgressor de suas ações e que melhor contribui para oxigenar a casa-museu e o RESPIRAÇÃO”, conta Marcio Doctors. “A mesa da Sala de Jantar, onde não acontecem mais os jantares para os quais o ambiente foi destinado, por uma questão de preservação da coleção, evitando a entrada de alimentos em área protegida do museu, com a bolha de ar receberá um salvo-conduto para que alimentos e bebidas voltem a ser consumidos no interior do museu. O ato mais primário da vida – o de alimentar-se – retorna dando vida ao ambiente só que agora musealizado. Dentro da obra nos tornamos objetos de apreciação da coleção que nos observa, fazendo-nos prisioneiros de nossa própria armadilha, como se tivéssemos sido capturados pela imagem do espelho”, explica. Depois da abertura, Panis et Circenses será usada para as atividades do programa educativo da Casa Museu, insuflando uma nova vida para o espaço da Sala de Jantar.

Pornorama
(Mario Grisolli)

Entre as obras do coletivo que estarão presentes no RESPIRAÇÃO estão ainda Pornorama, na Sala Renascença, Sofáraokê e Espreguiçadeiras multi. Apesar de já serem conhecidas do público, todas terão um novo contexto ao serem apresentadas na Casa Museu Eva Klabin. Levando vida ao espaço que fica intacto o ano inteiro, indicando que cada obra adquire um novo sentido, dependendo das relações e configurações espaciais do local onde acontecem.

O projeto RESPIRAÇÃO, iniciado em 2004 pelo curador Marcio Doctors, é um programa de longa duração, que une o acervo de arte clássica da Casa Museu Eva Klabin à produção contemporânea. Ao longo dos últimos 15 anos, com a participação de artistas renomados, tornou-se referência cultural no Brasil, e hoje é uma marca da instituição. O projeto,

Sofáraokê
(Mario Grisolli)

inusitado e singular, tem como proposta trazer uma nova respiração para o museu, com o intuito de atrair novos públicos, criando um olhar diferenciado sobre o espaço e sua coleção. Saiba mais em www.evaklabin.org.br/projeto-respiracao.

 

Nas palavras do curador Marcio Doctors:

“O OPAVIVARÁ! questiona de maneira alegre, leve e vivaz as relações interpessoais e interespaciais no contexto das grandes metrópoles. Consegue ser sério, sem ser sisudo. Essa foi uma das razões que me levou a convidá-lo a participar da 24ª edição do RESPIRAÇÃO. Afinal, o material que estava sendo oferecido ao coletivo era o de uma casa, cuja vida havia sido retirada dela quando foi transformada em casa-museu. Para o OPA a relação entre o público e o privado é uma de suas questões fundamentais. A pergunta que os impulsionou foi: como se relacionar com um espaço que se pretende público e, ao mesmo tempo, é da ordem do privado, na medida em que se conservam todos os cômodos de uma residência e até os objetos pessoais de sua proprietária, mas que não podem ser utilizados como tal? Do que o coletivo sentiu falta e o que muitos artistas que participam do RESPIRAÇÃO também sentem é a ausência do fluxo de vida que foi interrompido, quando a casa virou museu. Afinal, a matéria prima do OPA é a própria vida.

Uma das formas como o OPAVIVARÁ! equacionou essa questão, de maneira bastante perspicaz, foi quando optou por trazer algumas obras que já haviam sido realizadas em outros contextos para indicar que cada obra adquire uma nova potência de existir, dependendo das relações e configurações espaciais do local onde acontecem. Apesar desse tema ser “banal” no contexto da arte atual, ele deixa de sê-lo, quando se torna uma estratégia de ação, como é o caso. Por exemplo, uma obra como Pornorama sugere (pelo jogo de palavras) que o visitante vivencie a Sala Renascença com uma visão panorâmica, tal como Eva Klabin fez, ao exibir a história da arte de maneira panorâmica, agrupando-a em quatro vitrines nos cantos da sala, que contemplam cada uma, um dos quatro continentes importantes na história das grandes navegações e do período renascentista (Europa, Ásia, África e Américas). Ao mesmo tempo, induz a ideia de que o visitante de uma casa-museu é uma espécie de voyeur da intimidade alheia. Essa percepção não poderia acontecer melhor em nenhuma outra tipologia de museu, do que numa casa-museu. Desloca o ponto de observação de uma postura ereta e frontal, como acontece nos museus tradicionais, para uma posição deitada, que permite ter uma visão sem obstáculos do conjunto da sala ou fixar seu olhar em determinados pontos específicos de observação, abrindo e fechando as cortinas do dossel. Ou, ainda, simplesmente, relaxar, reafirmando a ideia do museu como local de heterotopia da vida contemporânea, onde é possível usufruir de uma utopia espacialmente momentânea, que nos retira da aceleração do cotidiano em que vivemos. E não há lugar mais apropriado para se colocar uma cama do que num museu que é também uma casa.

A reedição do Sofáraokê, assim como as Espreguiçadeiras multi adquirem também outras camadas de sentido, quando recontextualizadas na Casa Museu Eva Klabin. Costumo parafrasear Borges dizendo que esta casa-museu é a casa de uma europeia no exílio. Quando o OPA traz com as Espreguiçadeiras multi o sol das praias para o interior da casa, que foi concebida para ser vivida à noite (Eva Klabin trocava o dia pela noite), remete-nos para um aspecto fundamental da vida da cidade, assim como o Sofáraokê traz de volta a boemia, tal como na época de quando Eva Klabin vivia e promovia noitadas em sua casa. Recupera também um traço importante da vida da cidade, que é a alegria irreverente do bom humor do carioca, que, infelizmente, está desaparecendo, após anos de tantos maus tratos”.

Serviço:

OPAVIVARÁ!

Casa Museu Eva Klabin

Abertura: dia 14 de setembro| sábado

Das 16hs às 21hs

Encerramento: dia 17 de novembro| domingo

Visitação: De terça à domingo das 14 às 18hs

Ingresso: de terça à sexta | R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)

Sábados, Domingos e Feriados: Gratuito.

Av. Epitácio Pessoa 2480 | Lagoa | RJ

Tel: 3202-8550

[email protected] | www.evaklabin.org.br

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