Marketing turístico desvenda o cérebro ao mexer com as emoções

O ser humano sente e depois racionaliza.. Então, a dica é apostar no “engajamento neural”.

Voltado à compreensão do comportamento daqueles que viajam a lazer, o marketing turístico ganha especial relevância na temporada de verão. O objetivo é entender como visitantes experienciam os lugares que visitam – o que faz parte dos objetivos do próprio marketing. De acordo com o pensador considerado “pai do marketing”, Phillip Kotler “lugares” são considerados produtos também, logo as estratégias de marketing  utilizadas para bens físicos podem (e devem) ser utilizadas para promover o setor de turismo. Ou seja, podem ser aplicadas, de forma adaptada, todas as estratégias de marketing utilizadas na venda de um carro ou celular. Ações de áreas mais aprofundadas como o neuromarketing podem, inclusive, ser utilizadas pelos empreendedores do setor de turismo, indica a especialista, pesquisadora e professora de marketing Shirlei Camargo.

“O ser humano sente e depois racionaliza. Somos essencialmente emocionais e as empresas, quando pensam em criar e, principalmente, comunicar sobre os seus produtos, devem lembrar dos sentimentos”, orienta a especialista.

Como a emoção vem antes da razão, é importante comover o consumidor para chamar a sua atenção e essa questão é bastante rica para o setor do turismo, com roteiros e opções de viagens e passeios paradisíacos, aventureiros ou desafiadores – atributos que instigam os sentidos das pessoas. “Na hora de comunicar, mostre situações que passam sensações, como, por exemplo, uma família feliz ou um casal se divertindo. Isso, para chamar a atenção, é mais eficiente do que apenas apontar quais são os atributos, o preço, o valor e como a pessoa pode estar incluída naquele pacote ”, ensina Shirlei.

NEURÔNIOS ESPELHOS

Para tudo isso, há uma explicação científica neurológica: a especialista conta que se tratam dos “neurônios espelhos”, que são os responsáveis pelos comandos de quando temos alguma vontade movidos pela imagem de uma outra pessoa. É como se o cérebro seguisse aquele modelo e também passasse a desejar fazer a mesma coisa. “O bocejo é assim, quando alguém abre a boca perto, ficamos com aquela vontade de abrir a boca. Quando alguém sorri para a gente, também temos a tendência de sorrir”, lembra.

No caso do marketing turístico, segue-se o mesmo princípio: quando se vê um casal feliz na praia, o desejo de fazer o mesmo surge. “As peças publicitárias do setor mostram cenas como essas para ativar na outra pessoa um desejo de ter a mesma experiência”, diz Shirlei.

O “engajamento neural” também pode vir da identificação do público-alvo com fontes que tenham significado para ele, como os modelos ou celebridades escolhidos para compor as peças publicitárias . “ Contudo o produto viagem deve ser posicionado de acordo com os valores do público que se quer atingir, não adianta escolher uma atriz que não tenha nada a ver com as pessoas chaves de uma campanha publicitária”, alerta.

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