
O Coletivo de Intelectuais Negras e Negros (CDINN) em parceria com o Instituto Unibanco lançam nesta segunda, dia 27, a plataforma “Percursos Alternativos”, uma base online de materiais educacionais fundamentada na diversidade cultural brasileira, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e que contribui para o fortalecimento da Lei 10.639/2003, que determina o ensino de cultura e história afro-brasileira e africana nas escolas.
Disponível de maneira aberta e gratuita, o site é composto por conteúdos pedagógicos, com o objetivo de fornecer a educadores e estudantes instrumentos e repertório para conhecerem a contribuição de diferentes povos e culturas, com temas como racismo ambiental; gênero e sexualidade; slam e poesia em sala de aula; estereótipos dos corpos negros; quilombos; e uso de hip hop para ensinar física. A área sobre gênero e sexualidade, por exemplo, trabalha os temas trazendo referências de pensadores e elementos culturais africanos. Dessa forma, os estudantes são estimulados a desenvolverem as habilidades previstas pela BNCC, mas com referenciais que valorizam a cultura e a história africanas.
PERCURSOS ALTERNATIVOS
A plataforma está dividida em vários eixos. Na seção “Professores”, há uma série de textos e referências para subsidiar o corpo docente das escolas na adoção de uma educação que valorize a diferença na construção do conhecimento, com materiais formativos e planos de aula que conectam o currículo com a Educação para as relações étnico-raciais. A área “Estudantes”, por sua vez, conta com uma ampla gama de materiais que podem ser utilizados pelos educandos dentro e fora de sala de aula. Há ainda uma série de textos curtos e didáticos sobre temas que geram conexão com as vivências da juventude negra, bem como a área “Mídias”, que inclui vídeos, podcasts e a revista Diasporines, editada pelo CDINN.
Segundo Valter Roberto Silvério, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e membro do CDINN, a plataforma “Percursos Alternativos” foi pensada como um instrumento para auxiliar estudantes, professores e gestores na compreensão e implementação da Lei n° 10.639/2003 e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, recobrindo as ausências da BNCC sobre o tema. Valter destaca ainda que “na sociedade contemporânea, há a exigência de que qualquer projeto de vida considere a sustentabilidade do planeta. Desta maneira, estabelecimentos de ensino, educadores, gestores e estudantes têm a partir de agora a possibilidade de construção de uma educação para e com a diversidade”.
Na seção “Política educacional e gestão”, é ainda possível encontrar textos analíticos sobre a legislação educacional brasileira que afirmam o direito à educação para todas as pessoas e estabelecem as perspectivas inclusiva e da Educação para as Relações Étnico-Raciais articuladas à dimensão da cidadania, destacando também conceitos importantes para a implementação de uma educação pluricultural. Com esse conjunto, a plataforma busca contribuir para ampliar o repertório da comunidade escolar como um todo e apoia a diversidade cultural curricular na educação básica, visando melhoria na qualidade com equidade.
“A plataforma Percursos Alternativos vem ajudar a preencher uma importante lacuna no sistema educacional brasileiro, que é a pouca disponibilidade de materiais educativos focados em questões ligadas à diversidade cultural, como o combate ao racismo, a cultura produzida por artistas das periferias e os planos de aulas sobre diversidade de gênero e sexualidade. Além disso, ela tem o mérito de agregar tudo isso em um mesmo espaço virtual, o que facilita a vida de professores e estudantes”, afirma Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco.
SERVIÇO:
O site Percursos Alternativos é totalmente gratuito e aberto para uso de qualquer pessoa. Para conhecê-lo, basta acessar o link: https://percursosalternativos.com.br.










