Instituto Aço Brasil divulga perspectivas da indústria brasileira do aço

A indústria do aço tem sido bastante impactada pelo aumento dos preços de suas principais matérias primas.

“A continuidade de políticas expansionistas no mundo, com medidas para estimular investimentos e consumo, como forma de enfrentamento da COVID-19, tem alavancado a rápida retomada dos mercados”, informou Marco Polo Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, em Coletiva de Imprensa realizada no dia  22/02.

Observou-se desde então, em âmbito mundial, um boom no preço das commodities (petróleo, minério, grãos, alumínio, cobre, resinas, algodão, entre outros), que vem se refletindo e impactando todos os segmentos industriais a jusante. A indústria do aço tem sido bastante impactada pelo aumento dos preços de suas principais matérias primas, como minério de ferro, sucata, e carvão mineral, entre outras.

“No caso do Brasil, após os meses de março e abril do ano passado, quando houve grande queda da atividade econômica, surgiram sinais de recuperação, viabilizada, em grande parte, pelo auxílio emergencial e linhas de crédito estabelecidos pelo governo, que possibilitaram reativar tanto o consumo na ponta como a produção das empresas. A recuperação em V ao longo do 2º semestre de 2020 e que persiste no início de 2021 provocaram expressivo aumento da demanda sobre diversos segmentos industriais”, explicou Lopes.

Performance surpreendente

Em 2020, a despeito de toda a crise provocada pela COVID-19, o desempenho do setor foi, de certa forma, surpreendente, pois no ápice da pandemia, a indústria brasileira do aço chegou a operar com apenas 45% de sua capacidade instalada.

As vendas internas, em 2020, foram de 19,2 milhões de toneladas, crescimento de 2,4% na comparação com o ano anterior. A produção de aço bruto, que atingiu 31,0 milhões de toneladas em 2020, sofreu queda de 4,9% em relação ao que foi produzido em 2019, fundamentalmente devido à parada de equipamentos no 2º trimestre, momento mais agudo da crise de demanda.

As exportações, de 10,7 milhões de toneladas, ficaram 16,1% abaixo do total de exportações realizadas em 2019, devido à prioridade dada pelas empresas do setor ao abastecimento do mercado doméstico. No tocante ao consumo aparente de produtos siderúrgicos, em 2020, este atingiu 21,2 milhões de toneladas, representando um crescimento de 1,2% em relação ao ano de 2019.

Expectativas cautelosas

As expectativas da indústria brasileira do aço são positivas para 2021, prevendo-se que a produção aumente 6,7% em relação ao ano anterior, atingindo 33 milhões de toneladas de aço bruto. No tocante as vendas internas a estimativa é de que estas tenham um crescimento de 5,3% atingindo a 20,3 milhões de toneladas e o consumo aparente de produtos siderúrgicos de 5,8% em comparação com 2020, alcançando a 22,4 milhões de toneladas.

“A manutenção desta perspectiva positiva, porém, depende da velocidade e do alcance da vacinação da população e o consequente controle da pandemia de COVID-19 para que o país possa voltar a uma situação de maior normalidade. Também são de extrema relevância para a retomada sustentada da economia, a agilização das discussões para aprovação das reformas tributária e administrativa”, enfatizou o presidente do Aço Brasil durante a Coletiva.

Cabe ressaltar que o crescimento econômico do Brasil requer uma indústria forte e competitiva. Persistem, entretanto, problemas na competitividade da indústria nacional devido, principalmente, a fatores estruturais e sistêmicos do país, como a alta carga tributária e infraestrutura precária e onerosa. “Reduzir o Custo Brasil é essencial e deve anteceder a abertura comercial, para não haver risco de que o país se torne, exclusivamente, produtor de commodities e perca sua capacidade de inovar e produzir bens de maior valor agregado”, finalizou Marco Polo Lopes.

 

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