“Como as práticas integrativas e complementares podem ajudar no cuidado da saúde mental em tempos de isolamento social”. Live, dia 01/07, às 19h

Quando o estresse é constante e a pessoa não tem chances de reagir de forma adaptativa, ele se torna crônico.

A pandemia de coronavírus inaugura um tempo sem precedentes para a saúde mental pública em todos os lugares do mundo por onde se espalhou. Diante desse cenário, Evânia Maria, líder de Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras – Marielle Franco, do Fundo Baobá, convida para a live no dia 01/07 às 19h sobre o tema “COMO AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES PODEM AJUDAR NO CUIDADO DA SAÚDE MENTAL EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL”.

No papel de mediadora, Evânia traz duas convidadas reconhecidas internacionalmente para discutir o tema da saúde mental tão essencial nos dias atuais e futuros: a Dra. Fernanda Lopes, bióloga e doutora em saúde pública, atualmente Diretora de Programa do Fundo Baobá para Equidade Racial, que apresentará um panorama do que tem sido feito pela sociedade civil, no caso, o Fundo Baobá, para a promoção da saúde mental de mulheres negras. E a Dra. Iracema Benevides, médica de família e nutróloga com ampliação pela Medicina Antroposófica, que atua na área de Saúde Coletiva e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e que, durante o evento, falará sobre a importância dessas práticas como meio de apoiar as pessoas nesse contexto de pandemia.

No Brasil, dados da Associação Brasileira de Psiquiatria informam que 47,9% dos psiquiatras que participaram da pesquisa “Atendimento psiquiátrico e Covid-19” responderam que houve um aumento de até 25% nas consultas médicas e que 89,2% de seus pacientes apresentaram agravamento dos sintomas. Certamente um dos impactos mais gritantes e preocupantes do fenômeno da pandemia do COVID-19 é que ele escancara as desigualdades sociais, profundamente enraizadas no cotidiano da população negra, atingida de forma desproporcional e mortal, demostrando que as disparidades raciais no acesso aos cuidados e nos tratamentos de saúde constitui, de longa data, um problema de grande magnitude para o Estado brasileiro.

Lembramos que estereótipos negativos e atitudes de rejeição permeiam cotidianamente as relações sociais, expõem crianças e adultos negros a circunstâncias de estresse tóxico e violência mais do que os não negros no Brasil, devido aos efeitos sociais, políticos e econômicos decorrentes do racismo estrutural e das desigualdades de gênero.

É alarmante o fato de as mulheres negras se encontrarem posicionadas nesta pandemia bem no centro de uma dupla opressão, a de gênero e a de raça, que as atinge em várias dimensões. Os casos emblemáticos e amplamente divulgados pela mídia, como o de Cleonice, de 63 anos, empregada doméstica, primeira vítima fatal da Covid 19 no Rio de Janeiro, e o de Miguel, filho da empregada doméstica Mirtes, revelam a vulnerabilidade das mulheres negras na nossa sociedade. Elas ocupam postos de menor remuneração e valorização no mercado de trabalho. Na dinâmica de proteger a vida e garantir seu sustento e o da família não têm a opção de trabalhar em casa para se proteger da contaminação, de modo que sair para trabalhar envolve o risco de vida para si e seus filhos e ficar em casa significa perda real da sustentabilidade.

Nesse cenário, não se pode esquecer como o estresse causado por essa realidade desoladora está afetando de forma tóxica a saúde mental dessa população negra. Já é bastante difundido entre os profissionais de saúde que o alto grau de ameaça que um indivíduo experimenta provoca nele respostas de estresse que se acumulam ao longo do tempo, levando eventualmente a uma má saúde mental e física. Ninguém deveria pôr em dúvida que, quando o estresse é constante e a pessoa não tem chances de reagir de forma adaptativa, ele se torna crônico, o que leva a população negra ficar mais suscetível a doenças e/ou ao agravamento de quadros decorrentes do estresse tóxico, como hipertensão arterial, dor crônica e vetores de ansiedade e depressão. Além disso, sabemos que as mulheres negras de baixa renda, embora necessitem de apoio emocional para dar conta dos enfrentamentos da vida diária, têm acesso limitado a tratamentos de saúde mental e nem sempre o buscam devido a questões financeiras e ao estigma associado a esse campo da saúde.

As Práticas Integrativas e Complementares são abordagens promissoras para aumentar a oferta de cuidados da saúde mental entre a população. Elas se concentram na pessoa como um todo com o objetivo de otimizar a saúde do corpo, da mente e do espírito, são de baixo custo e utilizam recursos naturais para promover saúde; isso evidencia seu grande potencial para apoiar a saúde mental neste momento.

Em seu trabalho, Evânia Maria se dedica a oferecer informações e ferramentas para que as pessoas possam cuidar de si e tomar as melhores decisões em saúde. Neste momento, as pessoas necessitam de serviços mais acessíveis e customizados; isso justifica realizar uma live para apresentar ao público as possibilidades de cuidados da saúde mental no campo das abordagens das Práticas Integrativas e Complementares e, além disso, comunicar uma experiência concreta de apoio à saúde mental de mulheres negras por parte de uma organização da sociedade civil. Essa ação visa reafirmar que vidas negras importam em sua totalidade.

Inscrições em https://forms.gle/vUCKjzvBcQEAsjoa6

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