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Com lançamento que acontece no dia 26 de novembro, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, o livro tem coordenação editorial de Luciana Farias e Baba Vacaro e traz um panorama dos vinte anos de trajetória da artista plástica.

Uma viagem ao passado. Redescobrir para descobrir. Foi assim, ao mergulhar na própria história e revisitar memórias traduzidas em desenhos registrados nas cartas, cadernos e diários da adolescência, que Calu Fontes encontrou elementos para dar corpo a criações inéditas. Esse processo experimental, marcado por grande liberdade artística, é apresentado no livro que celebra 20 anos de trajetória, publicado pela Editora WMF Martins Fontes .
Dividida em dois volumes, a publicação Calu Fontes tem coordenação editorial de Luciana Farias e Baba Vacaro, texto da jornalista Cristina Ramalho, design da Bloco Gráfico e imagens do fotógrafo e artista Ding Musa. As páginas estampadas por obras da artista, que desde sempre utilizou ilustrações para se expressar, reúnem uma diversidade de elementos, linguagens e suportes orquestrados de forma harmônica. A capa que abraça os livros, um invólucro transparente com serigrafia dourada, tem como objetivo fundir as composições e sobreposições aplicadas em cerâmica, papel e vidro, materializando a essência e a linguagem tão própria das suas produções.
Durante o processo de concepção do livro, Calu volta às origens, revisita trabalhos antigos e, com a intenção de produzir um livro de artista, dá vida a novas criações. “Foi um processo de revisitação, uma viagem de descobrimento, e incorporei tudo que estava nesse percurso. Os dois volumes são uma narrativa criada a partir do meu olhar para o passado e de um desejo de me abrir para o novo”, declara a artista.
O livro 1 resgata o desenho genuíno e também destaca as diversas camadas presentes nos trabalhos de Calu. Em busca da liberdade de formas, ela explora a textura da argila e encontra um novo jeito de se comunicar pela cerâmica. Peças que quebraram, racharam ou apresentaram alguma “imperfeição” durante a produção, não foram descartadas. Os experimentos resultaram em uma série inédita, de itens orgânicos, compostos por linhas mais finas e irregulares. Surgiram nesse contexto, inclusive, obras sem ilustrações, que dão ênfase às tais camadas.
“Cada peça é única, porque feita só por ela, e toca a gente de algum jeito. Afinal o coração da matéria é a sua própria biografia. Ela faz da memória afetiva seu playground. Nos trabalhos mais recentes, Calu amassa o barro, modela, cria formas orgânicas, irregulares, com ramificações. Vai buscar no próprio material de trabalho a sua melhor forma de expressão. Não importa mais a função, agora não é mais jarro nem prato, a peça é quase uma escultura”, analisa Cristina Ramalho.
Recortes de um diário ilustrado na adolescência compõem o primeiro volume. As lembranças remetem à essência, ao início, ao nanquim, e reforçam a representação das letras e dos grafismos agregados, não somente pelo significado poético, mas também pela construção estética, da palavra como elemento gráfico.
Elementos que inspiram a produção da artista foram captados pelas lentes de Ding Musa. Fotografias do mar, de plantas e de simbologias impressas nas páginas do livro, complementam a narrativa da obra impressa.
“No trabalho de Calu Fontes, o todo não é a simples soma das partes. Sua mente intuitiva vasculha resíduos de memórias em busca de fragmentos de beleza, cores, formas, símbolos, desenhos, palavras – e os sobrepõe sem economia, criando conexões inconscientes que juntas passam a determinar novas escolhas”, reflete Baba.
Um processo ainda mais inconsciente e experimental é visto no livro 2. Ela comprou papéis, os cortou, usou carimbo, papel milimimetrado (herdado da arquitetura) aquarela e nanquim, num movimento de volta ao passado, mas que agregou descobertas. No segundo volume, as ilustrações dão lugar à colagem.
Poesia em formas – ora geométricas, ora orgânicas -, cores e elevações, foram colocadas sobre as folhas do segundo volume. As facas utilizadas permitem que os desenhos vazem para a outra página e construam sobreposições surpresas para o observador, instigando-o a se perguntar sobre o que vem pela frente.
A artista expõe novamente as camadas, dessa vez de maneira ainda mais evidente, sobressaltadas pela condição material do papel que, diferente da cerâmica, não se funde após a queima. Os contrastes volumétricos são visíveis e, em harmonia com as tonalidades vibrantes, geram um ritmo visual atrelado às vibrações cromáticas.
Calu Fontes é filha de Iemanjá e Oxum, as senhoras das águas do candomblé, Calu Fontes é conhecida por estampar objetos com azul, sereias, anêmonas e peixes. O esplendor da natureza, tons de verde, folhas e pássaros também compõem as criações da artista de alma barroca, que cursou arquitetura e, no início dos anos 2000, abriu o próprio ateliê.
Serviço
Lançamento do livro Calu Fontes
Local: Livraria da Vila | Fradique Coutinho
Data: 26 de novembro, a partir das 17h
Endereço: Rua Fradique Coutinho, 91, Pinheiros – São Paulo/SP
Agende seu horário: Sympla
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