Nipah: entenda os riscos do novo vírus ao cérebro

O vírus Nipah voltou ao centro das atenções após a confirmação de novos casos na Índia. (Foto: Freepik)
Dr. Fabiano de Abreu Agrela: monitoramento contínuo é essencial. (Foto: Acervo Pessoal)

Os riscos do novo vírus são elevados, uma vez que ainda não há vacina disponível e a infecção pode causar encefalite, alterações do nível de consciência e danos neurológicos graves, destaca o Pós-PhD em Neurociências, neurocientista da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, uma das sociedades médicas mais antigas da Europa, e membro do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

O vírus Nipah voltou ao centro das atenções após a confirmação de novos casos na Índia. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha informado que não recomenda restrições a viagens ou ao comércio e classifique como baixo o risco de disseminação global, o alerta permanece, sobretudo devido aos efeitos neurológicos severos associados à infecção.

Segundo a OMS, cerca de 110 pessoas estão em quarentena na Índia após dois casos confirmados. O vírus é considerado prioritário pela entidade em razão do seu potencial epidêmico, da ausência de vacina e da elevada taxa de mortalidade, que pode atingir até 70%.

Por que o Nipah preocupa em relação à saúde do cérebro?

De acordo com o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o principal risco do vírus está no impacto direto sobre o sistema nervoso central, com possibilidade de evolução rápida para quadros neurológicos graves.

“O vírus Nipah pode evoluir rapidamente para encefalite, provocando alterações do nível de consciência, convulsões e danos neurológicos severos. Em muitos casos, mesmo quando há sobrevivência, permanecem sequelas neurológicas a longo prazo”, explica.

“A encefalite causada pelo vírus gera um processo inflamatório cerebral que compromete funções cognitivas, motoras e comportamentais. Em quadros mais graves, o paciente pode entrar em coma e evoluir para óbito em poucos dias”, acrescenta o Pós-PhD em Neurociências, neurocientista da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e membro do CPAH.

Transmissão e origem do vírus

Nipah é um vírus zoonótico, transmitido de animais para seres humanos. Os principais reservatórios naturais são morcegos frugívoros, mas a infecção também pode ocorrer por meio de porcos, consumo de alimentos contaminados ou contato direto com pessoas infectadas.

“Embora a transmissão entre humanos seja menos frequente, ela pode ocorrer, especialmente em ambientes hospitalares, por contato direto ou por alimentos contaminados, o que aumenta o risco para profissionais da saúde”, ressalta o Dr. Fabiano de Abreu.

Sintomas iniciais e evolução da doença

Os sintomas iniciais são inespecíficos e semelhantes aos de outras viroses, dificultando o diagnóstico precoce. Entre os principais sinais estão:

  • Febre, dor de cabeça e dores no corpo
  • Fadiga intensa e tontura
  • Dificuldades respiratórias
  • Confusão mental e sonolência

“Com a progressão da infecção, surgem manifestações neurológicas mais graves, como desorientação, convulsões e perda de consciência. O agravamento pode ocorrer em poucos dias, exigindo internação imediata e suporte intensivo”, alerta o neurocientista.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do vírus Nipah é realizado por exames laboratoriais específicos, como RT-PCR e testes sorológicos do tipo ELISA, durante a fase aguda ou de convalescença da doença.

“Atualmente, não existe tratamento antiviral específico nem vacina. O manejo clínico baseia-se em suporte intensivo e controle dos sintomas, o que contribui para a elevada taxa de mortalidade observada nos surtos”, afirma.

Situação no Brasil e na América Latina

Até o momento, não há registros de casos do vírus Nipah no Brasil ou em outros países da América Latina. A preocupação permanece concentrada na Índia e em regiões onde há circulação natural do vírus.

Para o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o monitoramento contínuo é essencial. “Mesmo com baixo risco de disseminação global, o Nipah reforça a importância da vigilância epidemiológica e da atenção a vírus com alto potencial de comprometimento neurológico”, conclui.

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