Apesar de apresentarem um desempenho mental acima da média, pessoas com QI superior a 145 podem estar mais expostos à “depressão funcional”, aponta estudo publicado na revista Ciência Latina pelo Pós PhD em neurociências Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

Quando pensamos em pessoas superdotadas, é comum associá-las a genialidade, criatividade e sucesso, mas a condição pode ser bem mais complexa que isso, trazendo também alguns pontos de atenção.
Um novo estudo realizado pelo Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela e publicado na revista científica Ciência Latina, alerta para uma realidade mais complexa: quanto maior a capacidade cognitiva, maior também pode ser a vulnerabilidade emocional.
O estudo investiga uma condição chamada depressão funcional, um tipo de esgotamento mental e emocional que pode atingir superdotados profundos, pessoas com QI acima de 145. Diferente da depressão clínica tradicional, essa condição é silenciosa e difícil de detectar justamente porque esses indivíduos continuam funcionando em alto nível. “É um paradoxo, enquanto vemos uma mente altamente produtiva, por dentro também há exaustão, perda de sentido e instabilidade emocional. É como um colapso emocional camuflado pela própria inteligência”, explica o Dr. Fabiano.
MENTES BRILHANTES, MAS EXAUSTAS
De acordo com o estudo, a depressão funcional se manifesta por sintomas como apatia estratégica, oscilação emocional, falta de motivação e anedonia (incapacidade de sentir prazer), mesmo quando a pessoa continua apresentando resultados excepcionais no trabalho, nos estudos ou em atividades intelectuais.
A base desse fenômeno estaria em um desequilíbrio neuroquímico e na hiperatividade de áreas cerebrais ligadas ao raciocínio lógico e ao controle emocional, como o córtex pré-frontal dorsolateral e a amígdala cerebral. “Esses cérebros operam em uma espécie de ‘supercarga’. A atividade intensa de determinadas regiões, somada à hipersensibilidade emocional, acaba exigindo mais energia mental do que o organismo consegue repor. Não estamos diante de uma falha, mas de uma consequência natural de cérebros que operam em altíssima voltagem emocional e cognitiva. O desafio é compreender essa condição e criar protocolos de suporte personalizados”, destaca o neurocientista.
Um chamado à ciência e à saúde mental
A pesquisa defende que o reconhecimento precoce da depressão funcional ajuda a evitar quadros mais graves e aponta caminhos para intervenção, como reestruturação cognitiva, técnicas de respiração, atividades físicas adaptadas e redes de apoio entre pares superdotados.
“É preciso deixar claro que estamos falando de um fenômeno real. Muitas dessas pessoas não procuram ajuda porque acreditam que o sofrimento faz parte do ‘preço da genialidade’. E isso precisa mudar”, conclui Dr. Fabiano de Abreu Agrela.
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