
A dengue em crianças de até cinco anos exige um olhar atento, pois o quadro clínico pode variar com mais frequência e o risco de letalidade é consideravelmente mais alto, chegando a ser três vezes superior ao observado na faixa etária de 10 a 14 anos, segundo pesquisa da Fiocruz.
Outro fator que preocupa muitos pais nesse cenário é a semelhança entre os sintomas da dengue e do resfriado comum. Porém, a pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Vivian Pereira, aponta que uma das diferenças entre a doença e um resfriado é que a dengue raramente apresenta sintomas respiratórios como coriza ou tosse.
“Dentre os sinais que os pais devem estar atentos está o estado de prostração, no qual a criança perde o interesse por brincadeiras, fica bastante sonolenta ou, no caso de bebês, apresenta uma irritabilidade difícil de ser acalmada. Outro sintoma mais característico da doença nos pequenos é o início súbito de uma febre alta, que geralmente oscila entre 39°C e 40°C”, explica a médica.
A doença em crianças, especialmente nas menores de cinco anos, é considerada mais perigosa. De acordo com Vivian, isso acontece devido a uma combinação de fatores biológicos e dificuldades no diagnóstico precoce.
“O corpo das crianças é composto por uma proporção maior de água e elas possuem uma reserva de líquidos menor do que os adultos. Isso faz com que a desidratação e o extravasamento de plasma, que ocorre em casos graves de dengue – ocasionando dificuldades respiratórias e sangramento –, aconteça de forma muito mais rápida”, comenta a pediatra.
Enquanto em adultos os sinais de gravidade costumam aparecer de forma gradual, em crianças o quadro pode evoluir de maneira repentina, muitas vezes logo após a febre baixar. Além disso, a imunidade das crianças ainda está se desenvolvendo.
“O sistema imunológico da criança, ainda em formação, pode reagir de maneira intensa à infecção. Em bebês menores de dois anos, a presença de anticorpos maternos pode, curiosamente, aumentar o risco de uma reação inflamatória mais grave em caso de infecção por certos sorotipos da dengue”, reforça Vivian.
Quais sintomas observar em crianças?
À medida que a doença progride, é comum o surgimento de dores musculares e articulares. Segundo a pediatra, como os pequenos nem sempre conseguem localizar a dor, eles podem manifestar esse desconforto através da recusa em andar e se movimentar.
“Outro sinal frequente é a falta de apetite, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Entre o segundo e o quinto dia de febre, também podem aparecer manchas avermelhadas pelo corpo, que às vezes coçam e podem ser confundidas com outras viroses exantemáticas (doenças infecciosas caracterizadas por erupções cutâneas)”, ressalta.
O ponto de maior atenção ocorre justamente quando a febre começa a ceder. Este período, que muitos pais interpretam como o início da melhora, é quando podem surgir os sinais de gravidade.
“Nesse momento, é necessário monitorar a presença de dor abdominal intensa, vômitos que não param e qualquer tipo de sangramento, seja no nariz ou nas gengivas. A hidratação rigorosa com água, soro e sucos é o principal cuidado, mas o acompanhamento médico é indispensável para evitar complicações”, explica Vivian.
A pediatra indica que os pais fiquem atentos à quantidade de fraldas molhadas. “Se a criança estiver urinando menos que o habitual, é um sinal claro de que a hidratação não está sendo suficiente e o médico deve ser consultado novamente com urgência”, conclui a especialista.
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