Mercado de trabalho: tem vagas para autistas?

A advogada, pesquisadora e escritora Maria Inês Vasconcelos, autora deste artigo. (Foto: Acervo Pessoal)

Por Maria Inês Vasconcelos*

Atualmente, trabalho é um privilégio para poucos autistas. Dados disponíveis no início desse ano, apontam que infelizmente a situação do desemprego entre adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país se mantém crítica. Isso porque as estimativas são que cerca de 85% dos autistas, em idade adulta, estão desempregados ou fora do mercado de trabalho. Em comparação a outros países, como Reino Unido e Austrália, onde o desemprego nesta população fica em torno de 29% a 38%, a taxa no Brasil é expressamente superior.

Os programas de capacitação baseados em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) podem contribuir e muito, para inserir esse público no mercado de trabalho. Para autistas de alto funcionamento existem programas de inserção no mercado de trabalho e apoio a sua adaptação dentro de empresas parceiras.

Os avanços na tentativa do poder público de promover a cidadania e a inclusão ainda são tímidos. Medidas vêm sendo tomadas à passos lentos no país, provocando quase uma tragédia neste setor. A inclusão de autistas e deficientes, por exemplo, só ganhou destaque com o projeto de lei PL 2.573, promulgado em 11 de dezembro de 2019.

O projeto, também conhecido como Lei Romeo, nome do filho mais velho do apresentador Marcos Mion; tem como objetivo dar maior visibilidade a situação dos portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Já sancionada, a Lei Romeo disponibiliza carteira de identificação garantindo inúmeros benefícios aos portadores de TEA.

Vale destacar que o autismo não impede o trabalho, mesmo em casos de maior necessidade de suporte (grau severo). Com as adaptações razoáveis e auxílio necessário, autistas podem e têm o direito de trabalhar, garantidos pela Constituição Federal brasileira. O transtorno é um espectro “móvel”, onde os níveis de suporte podem mudar ao longo da vida com as terapias corretas, entendo que o TEA não deve ser encarado como uma “sentença”, pois com intervenção, a pessoa pode evoluir, ao passo que a falta de suporte adequado pode levar a regressões.

“À medida que as organizações buscam tornar suas forças de trabalho mais diversas em relação à raça, equidade de gênero e pessoas com deficiência, os líderes precisam aplicar essas mesmas estratégias à contratação de funcionários com diferentes tipos de mentes”. É o que defende Temple Grandin, professora da Universidade do Colorado e autora de best-sellers, com mais de 50 anos de experiência na indústria e academia e, também, uma pessoa autista.

Em seu artigo “When Great Minds Don’t Think Alike”, que em português pode ser traduzido como “Quando grandes mentes não pensam igual”, Grandin alega que “é hora de aplicar essas mesmas estratégias a diferentes tipos de mentes a fim de aumentar a criatividade, a solução de problemas e a locais de trabalho mais coesos”.

*Maria Inês Vasconcelos é advogada, pesquisadora e escritora.

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