Instituto Adus lança livro de receitas com chefs refugiados

O material faz parte da iniciativa ‘Sabores e Lembranças’ e foi apadrinhado por chefs famosos.

Evodie Kanyeba, da República Democrática do Congo, com Helena Rizzo.

Todos os dias, milhares de pessoas são obrigadas a deixar seus países de origem e partir em busca de novos lugares para reconstruírem suas vidas. Uma das formas que eles encontram para matar a saudade de suas terras e ainda conseguirem renda é através do empreendedorismo na cozinha.

Mohamad Alghourani, da Síria, com Ieda de Matos.

Pensando em trazer visibilidade para esse assunto, o Instituto Adus, organização sem fins lucrativos que atua pela integração de refugiados na sociedade brasileira, lança no dia 10 de março a primeira edição do livro ‘Sabores e Lembranças’’, resultado do workshop realizado em novembro de 2022. Nele, quatro imigrantes acolhidos pelo instituto e que trabalham no ramo da gastronomia trazem receitas típicas de seus países, com apoio de chefs famosos.

Da República Democrática do Congo, Evodie Kanyeba, que veio ao Brasil em 2015 para encontrar seu marido, ensina como fazer makemba na makayabu ya aubergines (bacalhau ao molho de berinjela com banana-da-terra), e rocher du coco (sobremesa à base de coco ralado, ovos e açúcar) e tem como madrinha nesse projeto a chef Helena Rizzo que considera que a troca com a refugiada foi enriquecedora e que “todo movimento público ou civil é extremamente importante para o acolhimento a refugiados.”

Já a venezuelana Gema Soto, que decidiu se estabelecer no Brasil por não ter condições de criar seus filhos, foi apadrinhada por Bela Gil, e traz dois pratos do país sul-americano: Hallaca (massa de milho recheada com ensopado de carne, às vezes enrolada em folhas de bananeira) e Buñuelos de Yuca (doce feito de mandioca e rapadura). “Torço muito para que mais mulheres ocupem lugares de liderança nas cozinhas profissionais “, disse Bela.

Gema Soto, da Venezuela, com Bela Gil.

A culinária síria é apresentada por Mohamad Alghourani, que fugiu de seu país em 2012 por conta da guerra, com receitas de Sheikh de coalhada (abobrinhas recheadas com carne e servidas com coalhada) e Knéf de queijo, e conta com apoio da chef Ieda (de Matos Nascimento) que destacou a importância dos refugiados terem oportunidades e acreditar que é possível mudar de vida.

Já Sorab Kohkan, apadrinhado por Bel Coelho, traz do Afeganistão o kabuli pulai, considerado o principal prato nacional do Afeganistão, e firnee (pudim de pistache). Ele veio para o Brasil primeiro com sua esposa e depois conseguiu resgatar seus filhos do regime fundamentalista afegão em 2021. “Criar novos espaços para acolher refugiados e imigrantes é fundamental em qualquer sociedade que pretende ser democrática e humanista”, disse Bel.

Sorab Kohkan, do Afeganistão, com Bel Coelho.

O livro, disponível no site do Adus de forma digital e gratuita, faz parte do projeto ‘Sabores e Lembranças’, que busca reforçar a culinária como uma oportunidade de renda e de reconexão com as culturas de origem e memórias afetivas, para os refugiados. “Tão importante quanto incluir as pessoas refugiadas na sociedade, é garantir que elas não percam suas raízes”, afirma Marcelo Haydu, diretor do Instituto Adus.

‘Sabores e Lembranças’ é uma parceria do instituto com a empresa de logística e transportes JSL, com o Governo do Estado de São Paulo, com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e com o ProAC (Programa de Ação Cultural).

SERVIÇO:

Para acessar o livro, acesse o site do Adus: https://adus.org.br/

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