Um olhar sobre a realidade indígena na Galeria Paralelo

Exposição A Luz da Floresta e o Arco da Destruição do fotógrafo Rodrigo Petrella registra em imagens e textos o cotidiano de grupos ameaçados por ações predatórias. 

Exposição de Rodrigo Petrella registra em imagens e textos o cotidiano de grupos ameaçados por ações predatórias.

Desde 1999, quando visitou pela primeira vez a Amazônia, o fotógrafo Rodrigo Petrella já esteve em várias tribos indígenas. Com a mostra “A Luz da Floresta e o Arco da Destruição”, a ser inaugurada ao público no dia 28 de novembro, na Galeria Paralelo, Rodrigo traz um recorte da narrativa apresentada no livro de mesmo nome em que, por intermédio de textos e imagens, testemunha a sua vivência de 15 anos de incursões entre os índios. 

Foram períodos que se estenderam às vezes durante semanas, a fim de que o fotógrafo registrasse o cotidiano de grupos como os enawene-nawe e outras etnias que vivem sob o risco de uma sociedade envolvente, cada vez mais intolerante e intransigente com as culturas tradicionais. 

A “mirada” de Rodrigo busca não só a crueza dessa ameaça, mas também a harmonia das comunidades tradicionais e seu equilíbrio com a natureza. Dessa forma, propõe uma abordagem que se afasta do exotismo e resgata o modo de vida extemporâneo de culturas desgarradas das expectativas supostamente modernas da civilização. Para tanto, o fotógrafo procurou se valer de uma reduzida estrutura em suas visitas às tribos, experimentando a vulnerabilidade de se encontrar relativamente sozinho, em condição de estrangeiro, o que constantemente lhe obrigava a se relacionar com os índios no dia a dia da aldeia. 

O “arco da destruição” do título é uma analogia ao chamado “arco do desmatamento”, área geográfica onde a fronteira agrícola avança em direção à floresta e provoca os maiores índices de desmatamento da Amazônia, com consequente comprometimento da vida e cultura de muitos povos indígenas. 

Luz da Floresta e o Arco da Destruição, a mostra, com curadoria do espanhol Amado Griño, apresenta fotos, a maioria feita em preto e branco, com uma Rolleiflex dos anos 60. Entre as peças, duas paisagens em ‘janela’ da Floresta Amazônica, além de rostos dos índios e as belezas de suas pinturas corporais. 

O artista 

Rodrigo Petrella, 42 anos, começou a fotografar aos 13. Tornou-se fotógrafo profissional em 1994, no Rio de Janeiro. Morou em Nova York, onde trabalhou para a indústria da moda, com trabalhos publicados em revistas como W, Vogue, Dutch e ID. Continua colaborando com veículos estrangeiros até hoje. Além do registro do cotidiano de comunidades indígenas na Amazônia, Rodrigo possui projetos que exploram símbolos e imagens do inconsciente.

Já realizou várias exposições no Brasil e no Exterior, como a mostra Guardiões da Floresta, no Museu de História Natural de Nova York, e possui obras em acervos como o do Museu Artur Bispo do Rosário, no Rio de Janeiro. 

A Galeria Paralelo 

Dedicada à arte contemporânea, a Galeria Paralelo foi criada em 2010 por Andrea Rehder e Flávia Marujo. O objetivo é construir uma ponte entre o Brasil e a Ibero-América, promovendo a pluralidade de pesquisas e linguagens desenvolvidas por artistas como Claudia Casarino, Jesús Herrera e Alex Flemming. A galeria prioriza a participação em feiras dentro e fora do País e parcerias com galerias, museus e fundações, facilitando a internacionalização de seus artistas. 

SERVIÇO:

Exposição: A Luz da Floresta e o Arco da Destruição

Local: Galeria Paralelo

Visitação: De 28 de novembro a 17 de janeiro

Horário: Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábados, 11h às 17h

Endereço: Rua Artur Azevedo, 986 – São Paulo/SP

Informações: www.paralelogaleria.com.br ou (11) 2495-6876

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