Transtornos relacionados ao estresse podem aumentar risco de doença autoimune subsequente

Os pacientes com distúrbios relacionados ao estresse apresentaram risco aumentado de doença autoimune.

 
As reações psiquiátricas a estressores da vida são comuns na população geral e podem resultar em disfunção imunológica. Se essas reações contribuem para o risco de doença autoimune ainda não está claro.
 
Em novo estudo, pesquisadores da Suécia investigaram se o estresse emocional (induzido ou não pelo trauma) pode contribuir para o desenvolvimento de doença autoimune. Os resultados foram publicados em junho no Journal Of The American Medical Association (JAMA).
 
O objetivo dessa pesquisa foi determinar se existe uma associação entre distúrbios relacionados ao estresse e doença autoimune subsequente. Para isso realizou-se um estudo de coorte retrospectivo de correspondência de irmãos e populações, realizado na Suécia de 1º de janeiro de 1981 a 31 de dezembro de 2013. A coorte incluiu 106.464 pacientes expostos a distúrbios relacionados ao estresse, com 1.064.640 pessoas não expostas pareadas e 126.652 irmãos desses pacientes.

Foram consideradas exposições o diagnóstico de transtornos relacionados ao estresse, ou seja, transtorno de estresse pós-traumático, reação aguda ao estresse, transtorno de adaptação e outras reações de estresse.

Os principais desfechos foram transtornos relacionados ao estresse e doenças autoimunes identificados através do National Patient Register. O modelo de Cox foi utilizado para estimar as razões de risco (HRs) com intervalo de confiança de 95% (IC 95%) de 41 doenças autoimunes que apareceram em até um ano após o diagnóstico de distúrbios relacionados ao estresse, controlando para múltiplos fatores de risco.

A mediana de idade no diagnóstico de transtornos relacionados ao estresse foi de 41 anos (intervalo interquartílico de 33-50 anos) e 40% dos pacientes expostos eram do sexo masculino. Durante um seguimento médio de 10 anos, a taxa de incidência de doenças autoimunes foi de 9,1, 6,0 e 6,5 por 1000 pessoas-ano entre as coortes expostas, não expostas pareadas e irmãos, respectivamente (diferença de taxa absoluta 3,12 [IC 95% 2,99-3,25] e 2,49 [IC 95% 2,23-2,76] por 1000 pessoas-ano comparados aos grupos de referência baseados em população e irmãos, respectivamente).

Em comparação com a população não exposta, os pacientes com distúrbios relacionados ao estresse apresentaram risco aumentado de doença autoimune (HR 1,36 [IC 95% 1,33-1,40]). Os HRs para pacientes com transtorno de estresse pós-traumático foram de 1,46 (IC 95% 1,32-1,61) para qualquer doença autoimune e 2,29 (IC 95% 1,72-3,04) para doenças autoimunes múltiplas (≥3).

Essas associações foram consistentes na comparação baseada em irmãos. Elevações de risco relativo foram mais pronunciadas entre os pacientes mais jovens (HR 1,48 [IC 95% 1,42-1,55]; 1,41 [IC 95% 1,33-1,48]; 1,31 [IC 95% 1,24-1,37]; e 1,23 [IC 95% 1,17-1,30] para idades ≤33, 34-41, 42-50 e ≥51 anos, respectivamente; P para interação <0,001).

O uso persistente de inibidores seletivos de recaptação de serotonina durante o primeiro ano de diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático foi associado com risco relativo atenuado de doença autoimune (HR 3,64 [IC 95% 2,00-6,62]; 2,65 [IC 95% 1,57-4,45]; e 1,82 [IC 95% 1,09-3,02] para duração ≤179, 180-319 e ≥320 dias, respectivamente; P para tendência = 0,03).

Concluiu-se nesta coorte sueca que a exposição a um distúrbio relacionado ao estresse foi significativamente associada ao aumento do risco de doença autoimune subsequente, em comparação com indivíduos não expostos pareados e com irmãos. Mais estudos são necessários para entender melhor os mecanismos subjacentes.

FONTE: JAMA Network, em 19 de junho de 2018 | www.news.med.br

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