Startup brasileira pretende impulsionar o consumo consciente da Moda

A Moda é uma das indústrias que mais polui o planeta e o mercado de segunda mão tem se mostrado a solução ideal para o problema.
 
108 milhões de toneladas de recursos não renováveis são usados a cada ano para produzir roupas

Segundo pesquisa realizada em 2017 pela Fundação Ellen MacArthur, instituição que tem como missão acelerar a economia circular, as pessoas estão comprando duas vezes mais roupas e usando-as apenas a metade do tempo. Além disso, outros dados alarmantes do mesmo estudo demonstram que o futuro da Moda é se reinventar: o equivalente a um caminhão de lixo de têxteis é depositado em aterro ou incinerado a cada segundo no mundo, 108 milhões de toneladas de recursos não renováveis são usados a cada ano para produzir roupas e a indústria têxtil será responsável por 25% da emissão mundial de carbono até 2050 (atualmente equivale a 10%).

Na contra mão dessas evidências, o mercado de segunda mão vem crescendo e ganhando força. De acordo com o estudo do E-commerce ThredUp de 2019, o guarda roupa do futuro será mais sustentável. Sendo que a previsão é de que em 2028 a quantidade de peças de segunda mão será de 13% do total de itens, ultrapassando as de fast fashion que representarão 9%.

No Brasil, com o objetivo de ser uma grande solucionadora para esse problema, Luanna Toniolo fundou a TROC, maior brechó online do Brasil. Mais do que permitir que todas as usuárias tenham acesso aos produtos que sempre sonharam, a startup busca educar as brasileiras para que cada vez mais apostem na economia circular. A alta taxa de recorrência mostra que o empreendimento está no caminho certo. “Quem conhece a TROC começa a confiar na roupa de segunda mão, entende que essa é uma alternativa e que a roupa usada não é mais um tabu”, afirma a empreendedora.

O grande diferencial da empresa é a curadoria feita sobre os produtos e o volume de opções que oferecem – em média quatro mil peças são recebidas por mês. As opções variam para todos os gostos e bolsos, com opções desde fast fashion, premium e luxo. Hoje, a TROC realiza, por volta de 2.000 pedidos por mês e tem mais de 4.000 “lojinhas” ativas no site – as lojinhas, como são conhecidas as páginas onde qualquer pessoa se tornar um vendedor. Já passaram pela plataforma nomes como Anitta, Bella Falconi, Flávia Pavanelli, Carol Celico, Dupla Carioca, Gabi Pugliesi e Ticiane Pinheiro.

Para quem quer vender, e mora em Curitiba ou São Paulo, a TROC retira as peças no local indicado sem nenhum custo. Já para as outras regiões do país, é possível enviar por correio também gratuitamente. As peças passam pela curadoria e, se aprovadas, são incluídas na plataforma. “Um dos critérios para avaliação é analisar se você daria de presente para sua melhor amiga. Porque se tem algum defeito, um fio puxado, bolinha ou zíper emperrado, você não aceitaria como um presente para alguém especial”, explica Luanna, sobre o processo de seleção dos produtos.

Segundo Luanna, o objetivo é tornar a TROC o maior solucionador da moda consciente para o Brasil e para a América Latina. Quando os itens não passam pela seleção – e os motivos vão desde mal estado, até mofo -, o cliente tem duas opções: pagar pelo frete de devolução ou autorizar a doação. Desta maneira 12% das peças recebidas são destinadas para instituições de caridade.
 
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