Passar álcool em gel nas mãos ou lavá-las: o que é mais eficaz

A adequada higienização das mãos pode diminuir a transmissão de uma série de doenças.

A adequada higienização das mãos pode diminuir a transmissão de uma série de doenças.

Quantos objetos você tocou n esta última hora? Quantas vezes passou as mãos nos olhos ou na boca? Espirrou ou tossiu? É, se pararmos para analisar, são inúmeras as bactérias, vírus e fungos com os quais podemos entrar em contato pelo simples toque das mãos. Mas, afinal, o álcool gel limpa tanto quanto lavar as mãos? “Do ponto de vista de eliminação de micro-organismos patogênicos, sim, desde que as mãos não apresentem sujidades aparentes que possam impedir o espalhamento e ação adequados do gel”, explica o Dr. Wagner Montor, professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que trabalhou com controle de infecções durante seu pós-doutorado nos EUA.

A adequada higienização das mãos, acrescenta o Dr. Montor, pode diminuir a transmissão de uma série de doenças, dentre as quais infecções respiratórias, como gripe, infecções intestinais, hepatites, conjuntivite e diversas outras. Por isso, no dia a dia, a recomendação é lavar as mãos sempre que possível, principalmente nas situações mais óbvias: antes de manipular alimentos; comer; tocar mucosas como olho s, nariz e boca; antes e após ir ao banheiro; entre outras. “O álcool gel oferece uma comodidade extra, porque pode ser transportado em pequenos frascos em bolsas e mochilas e pode ser utilizado sem água. O problema do uso constante do álcool gel é o ressecamento das mãos e possíveis alergias a componentes da fórmula. Existem formulações glicerinadas no mercado, que evitam o ressecamento, mas havendo água e sabonete disponíveis, lavar as mãos é o ideal, com a utilização subsequente de álcool gel ou não”, indica.

Sabonete comum ou antisséptico?

Quanto a essa questão, o professor esclarece que, nas atividades diárias, lavar as mãos com água e sabonete comum costuma ser suficiente para a população geral. Para profissionais que realizam, por exemplo, procedimentos médicos e laboratoriais ou preparo de alimentos ou medicamentos, medidas específicas de higienização das mãos, podem ser adotadas, incluindo álcool gel e sabonetes antissépticos. “Sabonetes antissépticos, quando usados adequadamente, eliminam mais de 90% dos micro-organismos, em testes padronizados, onde micro-organismos em uma escala crescente de resistência são utilizados. Se comparados aos sabonetes comuns, apresentam composição que garante maior eliminação destes micro-organismos mais resistentes e têm ainda efeito residual, deixando as mãos protegidas por mais tempo”, complementa o Dr. Montor.

Existe também outra questão relevante sobre o tema, de acordo com o professor: para alguns indivíduos, alguns sabonetes antissépticos podem causar alergia , além do que o uso frequente pode eliminar bactérias não-patogênicas que são benéficas, principalmente quando utilizados em áreas maiores, como no banho. Esta é uma questão relevante e discutida principalmente por dermatologistas.

Dicas do Wagner Montor

  • Para um álcool ser mais eficaz na limpeza de superfícies não-biológicas, no que diz respeito a sujidades, sua concentração deve ser alta, acima de 80% ;
  • Para o contato com a pele, deve-se utilizar apenas álcool 70%. Paraos profissionais que utilizam álcool 70% na pele diariamente é melhor optar por formulações em gel que incluam agentes que impedem o ressecamento, como a glicerina, por exemplo;
  • Preparar álcool 70% não significa misturar 70% de álcool e 30% de água, porque há propriedades físico-químicas específicas que promovem uma contração de volume na mistura destes dois; portanto é recomendável a compra do material pronto, de fonte confiável com garantia de qualidade, ou seguir protocolos específicos para a preparação caseira;
  • A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu a comercialização de álcool líquido com gradação acima de 54ºGL (46,3 INPM), que corresponde ao álcool 54%, para evitar acidentes causadores de queimaduras e incêndios. Esse álcool 54% não é antisséptico, não eliminando os microorganismos, e não deve ser utilizado com esta finalidade. Para esse fim, deve ser utilizado o álcool gel na concentração de 70%. O álcool líquido na concentração de 54% pode ser utilizado para limpeza de sujidades mais leves, por exemplo.

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