Novidades para a vitivinicultura na Serra Gaúcha

No mês de fevereiro, a Embrapa Uva e Vinho, através do seu o Programa de Melhoramento Genético “Uvas do Brasil” irá apresentar novidades para os viticultores da Serra Gaúcha: duas novas cultivares, uma para mesa, a BRS Melodia, e outra para vinho, a BRS Bibiana, além das recomendações de cultivo das cultivares BRS Vitória e BRS Isis para a Serra Gaúcha.

Resistência a doenças, adaptação às condições climáticas específicas de regiões de clima temperado e qualidade da fruta com alta produtividade são as principais vantagens que Patrícia Ritschel e João Dimas Garcia Maia, coordenadores do Programa, destacam nas novas cultivares desenvolvidas especialmente para as regiões de clima temperado.

BRS Melodia – a nova opção de uva de mesa sem semente da Embrapa

O sabor especial de mix de frutas vermelhas, característico da cultivar BRS Melodia, vai conquistar os consumidores que buscam um sabor diferenciado, aposta João Dimas Garcia Maia, um dos melhoristas responsável pelo desenvolvimento da variedade. Ele comenta que essa cultivar rosada sem sementes atende a demanda dos viticultores da Serra Gaúcha, que não conseguiam produzir a cultivar importada Crimson Seedless.

Cultivada com o uso de cobertura plástica e com o manejo correto, garante-se uma produtividade de 25 toneladas por hectare. Na produção de uvas de mesa, as práticas de manejo de cachos sempre dão em bons resultados. Na ‘BRS Melodia’, o pesquisador destaca que deve ser feito o raleio e o desponte dos cachos. Por apresentar cachos menores, o manejo de cachos da ‘BRS Melodia’ é mais fácil, quando comparada com as cultivares do Grupo Itália. O emprego de giberelina é fundamental para garantir o tamanho das bagas adequado às uvas de mesa. “Caso o viticultor quiser uma cor rosada intensa, deve-se aplicar ácido abscísico no início da maturação”, recomenda Maia.

BRS Vitória e BRS Isis – sob cobertura plástica, prontas para conquistar o sul do Brasil

Desenvolvidas inicialmente para o cultivo em regiões de clima tropical, as cultivares BRS Isis e BRS Vitória atraíram a atenção dos produtores da Serra Gaúcha. “Eles acompanharam o avanço da área plantada no Vale do São Francisco e o sucesso que elas estão fazendo, tanto no Brasil, como no exterior. Diversos produtores começaram a plantar e pediam nossa ajuda para ajustarmos o manejo, pois queriam também oferecer essas cultivares diferenciadas na Serra Gaúcha”, relata Patrícia.

Para atingir esse objetivo, foi dado início a um trabalho conjunto, envolvendo os técnicos da Embrapa e os produtores da região para adaptação do manejo. “Depois de diversos experimentos, foram elaboradas as recomendações técnicas que irão garantir a produção em sistema de cultivo protegido das cultivares BRS Isis e BRS Vitória”, anuncia Roque Zílio, técnico que atua há mais de 25 anos no Programa de Melhoramento “Uvas do Brasil”. Ele destaca que os produtores têm escolhido a 'BRS Vitória' pelo seu sabor diferenciado e precocidade. Já a 'BRS Isis', por apresentar um ciclo mais longo, possibilita que o produtor consiga ampliar a oferta de uvas e distribuir melhor a mão-de-obra para realização do manejo, sem a necessidade de contratar mais pessoas.

Zílio destaca que de uma forma geral, o principal diferencial entre o manejo tradicionalmente empregado nas regiões de clima temperado e aquele recomendado para as novas cultivares de uva de mesa está no controle da produção, no manejo do cacho, realizado para obtenção de cachos menores e menos compactos. Seguindo estas recomendações, os produtores conseguirão uvas com maturação e coloração mais uniformes, além de uma concentração maior de açúcares deixando-as mais doces e saborosas.

‘BRS Bibiana’

É a mais nova cultivar que, ao lado das cultivares Moscato Embrapa, BRS Lorena e BRS Margot, compõem a linha de cultivares resistentes a doenças. A ‘BRS Bibiana’ apresenta reação intermediária ao míldio e ao oídio. Com a elevação do conteúdo de açúcares, ao final do ciclo, deve-se redobrar os cuidados relacionados à podridão da uva madura. Estas doenças podem ser controladas com o uso dos tratamentos convencionalmente utilizados para o cultivo de ‘BRS Lorena’. É resistente à podridão ácida e à podridão cinzenta, causada por Botrytis. Os vinhos remetem aos produtos elaborados com uvas europeias, mas com um custo de produção reduzido por exigir menos tratos culturais.

A 'BRS Bibiana' apresenta cachos soltos, o que evita as podridões. Para a obtenção de boa produtividade, recomenda-se a realização de poda mista, deixando-se todas as varas possíveis para a produção e não apenas 5-6, como normalmente praticado na Serra Gaúcha”, esclarece a melhorista.

Outro grande diferencial da nova cultivar é o potencial de atingir um elevado conteúdo de açúcares, mesmo em anos com condições adversas de clima. “Para essa cultivar não tem tempo ruim. A safra sempre vai ser boa, permitindo a elaboração de vinhos com qualidade”, antecipa Patrícia.

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