Mais empresas devem usar financiamento para pagar 13º salário em 2014, pesquisa da Fiesp

Levantamento ouviu 578 empresas; 68,6% delas afirmam que está mais difícil conseguir crédito. 

Levantamento ouviu 578 empresas; 68,6% delas afirmam que está mais difícil conseguir crédito.

Mais de 29% das empresas consultadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) devem recorrer a financiamento de terceiros, principalmente empréstimos bancários, para arcar com o pagamento do 13º salário no final deste ano. Em 2013, o número apurado foi inferior: 27,5%. Já o percentual de indústrias que devem utilizar as reservas provis ionadas durante o ano para pagamentos dessa natureza caiu para 45,7% em 2014 ante 49,3% em 2013. 

Os números são da pesquisa Rumos da Indústria Paulista (http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/rumos-da-industria/) , que avalia anualmente as dificuldades do setor industrial para pagar o 13º salário. A pesquisa ouviu 578 empresas entre 1 e 27 de outubro, sendo 61,2% delas de pequeno porte (até 99 empregados), 32% de médio porte (de 100 a 499) e 6,8% de grande porte (500 empregados ou mais). O levantamento revela um dado preocupante: além da maior procura por financiamento de terceiros, o crédito está mais restrito e mais caro. 

“A gente sabe que é uma despesa muito grande. E a pesquisa desse ano especialmente mostrou uma situação que é reflexo das dificuldades enfrentadas pela indústria esse ano. A maioria das variáveis piorou, sendo que o desempenho ficou muito próximo ao da crise de 2008”, avalia Guilherme Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), responsável pelo levantamento. 

Segundo a Rumos, para 62,1% das empresas que responderam à pesquisa, o movimento do final de 2014 será menor que o do ano passado. Esse percentual é o maior desde 2008, ano da crise econômica mundial, quando essa percepção atingiu 65,4% do empresariado consultado. Ainda de acordo com o levantamento, o movimento será igual ao do ano passado para 21,8% das indústrias ouvidas. Já para 13,5%, ele será maior.

As encomendas para final de 2014 estão sendo feitas com mais atraso que no final de 2013 para 39,1% das empresas ouvidas pela Fiesp, no mesmo momento para 33,9% dos entrevistados e com maior antecedência para 3,6% dos consultados. 

Na comparação com levantamentos feitos nos anos anterior, o resultado de 2014 só não é pior que o de 2008, quando 44,9% das empresas afirmaram que as encomendas de final de ano estavam sendo feitas com mais atraso que no ano anterior.”Há poucas evidencias de uma melhora rápida já no começo do ano. Mas [o resultado] deixa muito claro que a situação da indústria é muito complicada e vem piorando”, reiterou Moreira. 

Pagamento do 13º 

A pesquisa revela crescimento no número de empresários que devem recorrer ao financiamento de terceiros, principalmente bancos, para pagar o 13º salário. E o aumento das dificuldades no acesso a esse crédito e dos custos com esse capital. 

O levantamento da Fiesp apurou que 29,2% das empresas ouvidas devem recorrer ao capital de terceiros, o maior percentual desde 2008, quando 31,5% das indústrias afirmaram utilizar financiamento de terceiros. Enquanto isso, 45,7% das empresas entrevistadas afirmaram que devem utilizar o saldo provisionado pelo faturamento do ano para fazer os pagamentos, a menor taxa desde o início da série em 2008. 

Das empresas que estão recorrendo a bancos para pagar o 13º, 68,6% afirmaram que encontraram mais dificuldades no acesso ao crédito. Além disso, o custo do crédito ficou muito mais caro para 27,1% das empresas e mais caro para 51,9% dos entrevistados. 

O gerente do Depecon explica que a indústria de transformação foi o setor que mais sofreu com os desequilíbrios da economia. “Então, quando a indústria do país para, isso se espalha para a economia.” 

O gerente do Depecon/Fiesp classifica como “desanimador” o aumento da taxa básica de juros. No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central surpreendeu ao elevar a taxa Selic para 11,25% ao ano. “O elevado custo do capital no Brasil é uma questão que apontamos há muito tempo. E, subindo a Selic, isso só piora”, alerta o gerente.

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