Apesar da crise, cenário de investimentos é promissor para 2015

Rodrigo Bertozzi*
É fato que os investimentos estão mais elásticos e os fundamentos para receber os aportes mais difíceis, mas o panorama é bom para 2015.

É fato que os investimentos estão mais elásticos e os fundamentos para receber os aportes mais difíceis, mas o panorama é bom para 2015.

A sinalização do mercado de capital é positiva. O próximo ano deve ser promissor quanto à manutenção e até mesmo ao crescimento do interesse de investidores nacionais e estrangeiros em médias e grandes empresas brasileiras.

Analisando relatórios da B2L Investimentos S/A, empresa da qual sou fundador e CEO, acredito que teremos mais fundos soberanos (recursos de países) vindos para o Brasil em 2015 e 2016. Houve uma evolução nos negócios, principalmente nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Espírito Santo e Piauí.

Os setores da construção – especialmente loteamentos para classes de menor poder aquisitivo, mas também para a faixa de renda A e AA –; logística; varejo farmacêutico; varejo de eletrodomésticos e refeições coletivas são os que vêm atraindo mais olhares. Além disso, nossas previsões apontam para investimentos e negócios em áreas como portos particulares para apoiar o escoamento da produção da indústria e também da safra e safrinha agrícola de 2015. A logística permanece sendo o grande desafio e com ótimas oportunidades. O setor educacional segue em consolidação, comandado pela Kroyon Anhanguera e grupos regionais buscando sócios investidores para expandir e defender o mercado regional.

Lembro que, há 20 anos, antes da estabilidade trazida pelo Plano Real, o capital era volátil; entrava e saía, sem expectativas de ficar. Hoje, apesar da crise de confiança na economia, os fundos pensam em ficar em média sete anos para ter o payback em retorno de três vezes ou mais do investimento.

Para reforçar essa expectativa, um levantamento do Centro de Estudos de Private Equity e Venture Capital da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (SP) mostra que os fundos de private equity (que compram ações de grandes empresas) e de venture capital (que investem em empresas iniciantes) injetaram cerca de US$ 7,6 bilhões no país ao ano, entre 2010 e 2013. Este valor investido é o dobro do volume aportado no Brasil nos três anos anteriores ao período analisado. Além disso, os autores da pesquisa projetam um aumento de 15% a 20% ao ano do capital comprometido da indústria de private equity e venture capital no Brasil. O estudo ainda aponta que a indústria de private equity está em plenas condições de ajudar o país a voltar a crescer.

Mas alguns percalços no cenário econômico e político brasileiro podem mexer com o quadro de investimentos na área de infraestrutura. A Operação Lava Jato entrou de frente nas gigantes do setor e podemos pensar em dois vetores: ou as grandes obras e investimentos permanecem com as grandes empresas ou haverá espaço para que novas empresas surjam nessa brecha de oportunidades. A princípio temos analisado e pesquisado as empresas terceirizadas que podem ter bons ativos e, por conta da crise, vão necessitar se reinventar. O mesmo vale para a cadeia de gás e óleo. Ter participação de fundos é bom para adquirir controles acionários e dar fôlego a esses negócios.

A crise de confiança na economia brasileira também tem mexido com os ciclos de negociação dos fundos private equity que investem em participações de companhias no Brasil. Eles estão mais longos, com o nível de detalhamento cada vez mais profundo e análises mais demoradas. No primeiro semestre de 2014, por exemplo, fundos deprivate equity e venture capital fecharam 74 operações junto a empresas no Brasil, enquanto que nos seis primeiros meses de 2013 foram concluídas 115 transações, de acordo com dados da consultoria TTR.

Particularmente não gosto da ideia de somente olharmos o Brasil como um todo, mas sim de vermos o reforço em investimentos em cidades menores, a maioria no interior – também uma novidade recente (de 15 anos para cá) – onde se aposta em uma região/município que terá um alto crescimento, como aconteceu em Vitória (ES), Paraupepas (PA), Jaraguá do Sul (SC), Rondonópolis (MT), Imperatriz (MA) e agora na fronteira agrícola de MAPITOBA (Maranhão/Piauí/Tocantins/Bahia), só para citar algumas.

E, olhando esse cenário, verifica-se que ainda há muito a se prospectar no país. No interior, o crescimento vem avançando em muitos municípios, o que torna as empresas locais/regionais – com perfil quase sempre familiar – visíveis e alvo de produtos financeiros a que antes não tinham acesso. Elas entram no radar dos fundos de investimento.

É fato que os investimentos estão mais elásticos e os fundamentos para receber os aportes mais difíceis, mas o panorama é bom para 2015. Por isso, eu e os 47 sócios da B2L em todo o país continuamos nossa busca incansável pelo Brasil para mostrar, principalmente ao médio empresário, de qualquer região, que ele pode expandir seu negócio em parceria com investidores, sem endividamento de curto prazo, e ambicionar tornar-se um grande consolidador do mercado em que atua.

*Rodrigo Bertozzi é CEO da B2L Investimentos S/A.

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